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domingo, 9 de janeiro de 2022

O homem do coração de ferro (excelente e dramático filme sobre o terror nazi)


 

Título original: O Homem do Coração de Ferro 


 

De:   Cédric Jimenez


Com:  Rosamund PikeMia WasikowskaJason ClarkeJack O'Connell


Género: Drama, Biografia


Classificação: M/16


Outros dados: GB/FRA/EUA/BEL, 2017, Cores, 120 min.

 

  

Alemanha, 1942. O poder do III Reich está no auge. Josef Gabcík e Jan Kubiš, dois pára-quedistas checos treinados pela resistência inglesa, são enviados a Praga para executar uma missão ultra-secreta: assassinar Reinhard Heydrich, chefe dos Serviços Secretos das SS e da Gestapo, a quem Hitler chamava "o homem com coração de ferro". Heydrich foi um dos ideólogos da chamada Solução Final, um plano de aniquilação total do povo judeu na Europa, formalizado na Conferência de Wannsee (Berlim), a 20 de Janeiro de 1942. Embora com muitas dificuldades, a missão de Gabcík e Kubiš acabou por ser bem-sucedida. Porém, a morte do oficial causou terríveis danos colaterais, com milhares de pessoas a serem enviadas para os campos da morte devido a represálias dos nazis.

Com realização de Cédric Jimenez, um filme dramático que adapta a obra "HHhH", escrita pelo francês Laurent Binet e que, em 2010, lhe valeu o prémio Goncourt para primeiro romance. Relata a operação Antropóide, cujo atentado levaria à morte, por septicemia, de Reinhard Heydrich, um dos mais importantes e impiedosos líderes nazis. No elenco estão os actores Jason Clarke, Rosamund Pike, Jack O'Connell, Jack Reynor e Mia Wasikowska. PÚBLICO

 

Ver críticas, aqui https://cinecartaz.publico.pt/Filme/378467_o-homem-do-coracao-de-ferro

sábado, 14 de novembro de 2020

Evocação do Dia em Memória do Holocausto

 O Dia de Memória do Holocausto faz parte, desde 2009, do nosso calendário parlamentar, em sintonia com a iniciativa das Nações Unidas, que consagrou, em 2005, o dia 27 de janeiro como Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto.

Concebemos esta comemoração como um momento solene de reflexão sobre as causas e as consequências do Holocausto, lembrando e homenageando a memória das vítimas do nazismo e dos seus colaboradores.

Entendemos a celebração desta data como de afirmação da dignidade da pessoa humana e dos demais direitos fundamentais consagrados na Constituição, na Declaração Universal dos Direitos Humanos e na Convenção Europeia dos Direitos Humanos.

Minhas Senhoras e meus Senhores,

Ao assinalarmos, este ano, o 75.º aniversário da libertação do campo de extermínio de Auschwitz-Birkenau, é importante reconhecer que o antissemitismo, o racismo e a xenofobia não começaram com nazismo e não terminaram com o fim da II Guerra Mundial.

Não podemos ignorar que ao longo dos séculos, e por toda a parte do globo, sempre se verificaram manifestações de ódio e atos de violência contra judeus.

O Holocausto é exemplo maior da barbárie nazi, com seis milhões de judeus mortos e um número indeterminado de outros seres humanos perseguidos, encarcerados, deportados ou mortos pelas suas crenças, opções políticas, orientação sexual, condições físicas ou origens, 

Mas não surgiu do vazio.

Foi um programa estabelecido e executado de forma planeada, por etapas, sustentado numa cultura de ódio e de preconceito, promovido e alimentado por uma forte e eficaz campanha de propaganda e desinformação, que soube explorar a crise financeira e social do pós I Guerra Mundial.

Foi um propósito que contou com a cumplicidade, a colaboração – ativa ou passiva – e a indiferença de parte significativa da população de vários Estados.

Minhas Senhoras e meus Senhores,

Recordar o Holocausto, e as suas consequências, é um imperativo moral. Para o prevenir é indispensável conhecer as suas causas, o contexto em que surgiu, a conjuntura que o tornou possível.

Não por acaso, a Resolução das Nações Unidas que estabeleceu o Dia Internacional insta os Estados Membros a desenvolverem programas educacionais dirigidos às novas gerações visando esse objetivo.

Portugal reforçou o seu compromisso nesta área ao tornar-se, em 2019, o 34.º Estado-Membro da Aliança Internacional para a Memória do Holocausto, organização que tem o intuito de dinamizar a cooperação internacional em matéria de Educação, Memória e Investigação do Holocausto.

O currículo escolar português aborda já esta temática em diversas disciplinas e em múltiplos anos, nomeadamente no domínio dos Direitos Humanos, de acordo com a Estratégia Nacional da Educação para a Cidadania.

Algumas das ações desenvolvidas contam mesmo com a participação de vários parceiros institucionais, nomeadamente o Mémorial de la Shoah, a Memoshoá, a Associação de Professores de História, entre outros.

Se a História é imprescindível para desvendar este período negro da Humanidade e nos avisar para as suas consequências, a Educação para a Cidadania, ao fomentar o respeito pelo Outro numa sociedade inclusiva, promotora da igualdade, da democracia e da justiça social, é essencial para frustrar as manifestações de xenofobia e de racismo, e a ocorrência de atos de violência com estas relacionados.

Minhas Senhoras e meus Senhores,

Na evocação do Dia de Memória do Holocausto é também justo recordar os que não assistiram passivamente à propagação do mal, tantas vezes com riscos para a própria vida, a sua liberdade ou sustento.

Aristides de Sousa Mendes foi um desses Homens.

Contrariando as instruções do Governo Português – a célebre circular n.º 14, de novembro de 1939 –, Aristides de Sousa Mendes emitiu vistos a todos os que o solicitaram, sem distinções e restrições.

Graças a este gesto, estima-se que centenas de vidas foram salvas.

Por este ato de coragem, em obediência aos seus princípios e consciência, Aristides de Sousa Mendes foi punido.

É, pois, com agrado que a Assembleia da República, Casa da Democracia, se associa, nesta cerimónia evocativa do Dia Internacional da Memória do Holocausto, à homenagem devida a este Homem, que honra todos os Portugueses, através da Exposição “Além do Dever” e da apresentação do documentário sobre a sua vida.

Minhas Senhoras e meus Senhores,

Ao terminar, gostaria de recordar, pelo seu significado, as palavras de Thomas Buergenthal, um sobrevivente do Holocausto e antigo Juiz do Tribunal Internacional de Justiça, retiradas do discurso que proferiu nas Nações Unidas, a 31 de janeiro de 2018, na celebração desta data:

«O Holocausto não foi apenas uma tragédia judaica; foi uma tragédia de significado universal. Toda a humanidade foi sua vítima. A menos que esta verdade seja reconhecida e aceite, o Holocausto será tratado apenas como um problema judaico, diminuindo assim o carácter universal e o significado da tragédia humana que foi».

Não podemos deixar que isso aconteça.

A todos agradeço a presença e a atenção.

Muito obrigado.

Eduardo Ferro Rodrigues

Presidente da Assembleia da República



13.02.2020 | Cerimónia de Evocação do Dia de Memória do Holocausto |

Salão Nobre da Assembleia da República, Palácio de São Bento



 

Portugal, a última Fronteira

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

A CIVILIZAÇÃO QUE IMAGINOU AUSCHWITZ



Estudar o nazismo não é a mesma coisa que estudar outro período histórico qualquer.

Sem compreendermos este fenómeno nunca poderemos compreender o que foi o século XX, mais, temos de saber que foi no mesmo país em que nasceu Bach que se imaginou Auschwitz, e que, enquanto matavam judeus nos campos, ouviam as suas composições para piano fazendo-o em nome da cultura alemã.

Auschwitz foi construído em nome da civilização e contra uma suposta barbárie.

Os nazis estavam convencidos de que eles é que eram os bons, os “decentes”. Himmler sempre utilizou essa linguagem pois pedia aos seus homens para aguentarem esse trabalho “tão duro” que era o do assassínio em massa e, ao mesmo tempo, não se deixarem contaminar e manterem a sua “decência”.

Auschwitz não foi um acidente, não foi apenas um excesso do nazismo.

Auschwitz interroga-nos sobre o carácter da cultura e da modernidade.

Auschwitz obriga-nos a pensar que temos de estar sempre conscientes de que a nossa capacidade para mudar o mundo e o poderio que nos dão as tecnologias têm de ser sempre balizados por referências morais muito fortes que evitem que a técnica sem moral conduza ao utilitarismo.

Em Auschwitz escondem-se, condensam-se, todas as contradições das nossas sociedades modernas. Até a ideia de progresso, pois, um médico como Mengele, não se via como um criminoso mas “como alguém que procurava fazer avançar a ciência, que queria perceber as raízes biológicas dos comportamentos humanos e o fazia pelo método experimental.”



Ferran Gallego, historiador e autor do livro Os Homens do Fuhrer”: A Elite do Nacional-Socialismo 1919-1945‘ (Esfera dos Livros), em entrevista ao Ípsilon, edição de 12 de Fevereiro de 2010.



sábado, 22 de agosto de 2015

Holocaust-Mahnmal (Memorial do Holocausto) em Berlim

Caminhando entre os blocos do Memorial do Holocausto
 Clicar nas imagens para as ver melhor

Blocos de tamanhos diversos

Holocaust-Mahnmal (Memorial do Holocausto)

Memorial aos Homossexuais Mortos pelos Nazistas

O Memorial aos Judeus Mortos da Europa ou, como é mais comumente chamado, Memorial do Holocausto, é, como o nome já indica, um memorial dedicado aos 6 milhões de judeus mortos durante o regime nazista
Está localizado no coração de Berlim, a um quarteirão do Portão de Brandenburgo, entre a Embaixada dos Estados Unidos, parque Tiergarten e mais adiante a Potsdamer Platz.
A ideia de construir um memorial para as vítimas do holocausto nasceu já em 1988 e nos anos seguintes foi discutido sobre a local onde deveria ser construído, a sua forma e mensagem que deveria transmitir. Uma licitação pública foi feita e centenas de propostas para um memorial foram recebidas. Somente em junho de 1999, o parlamento alemão aprovou a construção do Memorial do Holocausto próximo ao Portão de Brandenburgo. O projeto vencedor para o Memorial do Holocausto foi do arquiteto americano Peter Eisenman.  
A sua construção foi iniciada em abril de 2003 e em dezembro de 2004 foi concluída. Em 10 de maio de 2005 o monumento foi inaugurado, fazendo parte das celebrações dos 60 anos do fim da Segunda Guerra Mundial, e dois dias depois foi aberto ao público.

O memorial foi construído numa área de 19.000 metros quadrados que antes fazia parte da “faixa da morte” quando o muro de Berlim existia.  
O monumento consiste de 2.711 blocos de concreto cinza escuro, quase preto, distribuídos em fileiras paralelas sob uma superfície ondulada. Estes blocos são sóbrios, não contém nenhum texto, nome ou foto. Os blocos são de 2,38m de comprimento por 0,95m de largura e a altura varia de 0,2m até 4,8 metros. 
Muitos dos caminhos formados também são ondulados, o que para algumas pessoas causa a sensação de instabilidade. E parece que de fato esta foi a intenção do arquiteto, que no texto do projeto descreveu que os blocos foram desenhados “para produzir uma atmosfera confusa e intranquila, e toda a escultura visa representar um sistema supostamente ordenado que perdeu o contato com a razão humana”.
Faz parte ainda do memorial, uma sala subterrânea com 800 metros quadrados chamada de “Local da Informação” (ou Ort der Information em alemão)  onde estão documentos sobre a perseguição e o extermínio dos judeus. A exposição mostra detalhes biográficos de pessoas e famílias que foram vítimas do holocausto.

A visita ao memorial é gratuita e os caminhos entre os blocos de concreto podem ser acessados por diversos lados e pode-se caminhar livremente entre eles. 
Esta parte do memorial é sempre acessível, ou seja, é aberta dia e noite. O “Local da Informação” é aberto das 10:00 as 20:00hs, nos meses de abril a setembro e das 10:00 as 19:00hs, de outubro a março. Às segunda-feiras fica fechado.

O Memorial do Holocausto é controverso. Muita gente não gosta da estética, diz que lembra um cemitério com lápides. Também já sofreu muitas críticas por causa do seu tamanho, forma e por só lembrar as vítimas judias do holocausto, esquecendo outras minorias que também foram perseguidas pelos nazistas, como por exemplo,os sinti e roma. Esta crítica levou a decisão de construir um pequeno memorial para estas vítimas. O memorial para os sinti e roma mortos pelos nazistas está sendo construído no Simsonweg, no parque Tiergarten (entre o Portão de Brandenburgo e o Reichstag) e é uma fonte onde diariamente uma flor natural será colocada. Também no Tiergarten, em frente ao Memorial do Holocausto há um memorial dedicado aos homossexuais perseguidos durante o regime nazista. Trata-se de um memorial simples (como se pode ver na foto acima), um único bloco de concreto (que lembra os blocos do Memorial do Holocausto) que tem 3,60 metros de altura e 1,90 de largura com um monitor embutido em uma janela e que mostra uma cena curta onde dois homens se beijam.


Endereço: Cora-Berliner-Straße 1 – Tiergarten, 10117 Berlim



domingo, 1 de março de 2015

O Acordo de Londres de 27 de Fevereiro de 1953







A 27 de fevereiro de 1953, 20 países, entre eles Grécia, Irlanda e Espanha, decidiram perdoar mais de 60% da dívida da Alemanha (República Federal ou Alemanha ocidental). O tratado, assinado em Londres, foi determinante para o país se tornar numa grande potência económica mundial e num importante aliado dos Estados Unidos durante as décadas da Guerra Fria contra a antiga União Soviética.

O perdão da dívida, que na prática foi uma extensão e reforço das ajudas financeiras diretas do Plano Marshall, liderado pelos Estados Unidos, permitiu aos alemães reduzirem substancialmente o fardo da dívida contraída antes e depois da Segunda Guerra Mundial.~

Segundo uma análise de Éric Toussaint, historiador e presidente do Comité para a Anulação da Dívida do Terceiro Mundo, "a dívida antes da guerra ascendia a 22,6 mil milhões de marcos, incluindo juros. A dívida do pós-guerra foi estimada em 16,2 mil milhões

No acordo assinado em Londres a 27 de fevereiro de 1953 estes montantes foram reduzidos para 7,5 mil milhões e 7 mil milhões respetivamente. Isto equivale a uma redução de 62,6%", explica o perito.

"O acordo estabeleceu a possibilidade [por parte da Alemanha] de suspender pagamentos e renegociar as condições caso ocorresse uma mudança substancial que limitasse a disponibilidade de recursos", diz o historiador.

A Alemanha beneficiou ainda de uma medida excecional que, em alguns casos, permitiu reduzir taxas de juro cobradas ao país em cinco pontos percentuais.

Outro historiador, desta feita o alemão Albrecht Ritschl, confirmou que existiu de facto um perdão de dívida gigantesco ao país, que no caso do credor Estados Unidos foi quase total. 
"Em 1953, os Estados Unidos ofereceram à Alemanha um haircut, reduzindo o seu problema de dívida a praticamente nada", disse em entrevista à revista Spiegel, em 2011.

O "Acordo sobre as Dívidas Externas Alemãs" foi assinado entre a Alemanha Federal e 20 países. Foram eles: Bélgica, Canadá, Ceilão (hoje Sri Lanka), Dinamarca, França, Grécia, Irão, Irlanda, Itália, Liechtenstein, Luxemburgo, Noruega, Paquistão, Espanha, Suécia, Suíça, África do Sul, Reino Unido, Estados Unidos e a antiga Jugoslávia.

Pode ler o acordo de Londres aqui, no site oficial do governo inglês: https://www.gov.uk/government/publications/agreement-on-german-external-debts-london-2721953



In Dinheiro Vivo 28/02/2013 | 18:47 




quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Experiências biológicas em nome do arianismo



Sob a doutrina racista do III Reich, cerca de 7,5 milhões de pessoas perderam a dignidade e a vida em campos de concentração, especialmente preparados para matar em escala industrial, episódios que ficaram conhecidos como Holocauto. Para os nazistas, aqueles que não possuíam sangue ariano não deveriam ser tratados como seres humanos.
A política anti-semita do nazismo visou especialmente os judeus, mas não poupou também ciganos, negros, homossexuais, comunistas e doentes mentais. Estima-se que entre 5,1 e 6 milhões de judeus tenham sido mortos durante o Holocausto, o que representava na época cerca de 60% da população judaica na Europa. Foram assassinados ainda entre 220 mil e 500 mil ciganos.
O Tribunal de Nuremberg estimou em aproximadamente 275 mil alemães considerados doentes incuráveis que foram executados, mas há estudos que indicam um número menor, cerca de 170 mil. Não há dados confiáveis a respeito do número de homossexuais, negros e comunistas mortos pelo regime nazista.
A perseguição do III Reich começou logo após a ascensão de Hitler ao poder, no dia 30 de janeiro de 1933. Ele extinguiu partidos políticos, instalou o monopartidarismo e passou a agir duramente contra os opositores do regime, que eram levados a campos de concentração -- em março de 1933 já havia 25 mil presos no campo de Dachau, no sul da Alemanha. Livros de autores judeus e comunistas -- entre eles Freud, Marx e Einstein -- foram queimados em praça pública. A intelectualidade, acuada, só assistia.
Os condenados sofriam torturas, eram obrigados a fazer trabalhos forçados ou acabavam morrendo por fome ou doença. Eram também considerados inimigos do III Reich os comunistas -- embora Hitler tenha se associado União Soviética para garantir a invasão da Polônia --, pacifistas e testemunhas de Jeová. Um ano após Hitler ter assumido o poder foram baixadas leis anti-judaicas iniciando o boicote econômico.
Após a expulsão dos judeus poloneses da Alemanha, um jovem repatriado, Herschel Grynspan, assassinou em Paris o secretário da embaixada alem, Ernst von Rath. Isso detonou entre os dias 9 e 11 de novembro de 1938 uma série de perseguições que ficaram conhecidas como a Noite dos Cristais. Centenas de sinagogas foram incendiadas, 20 mil judeus foram levados a campos de concentração e 91 foram mortos, segundo informações de fontes alemães. Cerca de 7 mil lojas foram destruídas e os judeus ainda foram condenados a pagar uma multa de indenização de 1,5 bilhão de marcos.

Processo de Exclusão
A partir de setembro de 1939, com a invasão da Polônia, o III Reich iniciou uma nova etapa, mais pragmática, na política de segregação racial. Em território polonês, onde a colônia judaica concentrava cerca de 3,5 milhões de pessoas, foram criados os guetos, espaços nos quais os judeus eram confinados e compelidos a usar um distintivo com uma estrela amarela em suas roupas, que identificava a religiosidade, e obrigados a trabalhar para o esforço de guerra alemão. Nessa etapa, as condições subumanas a que essas pessoas eram submetidas levaram milhares a morte. Não se sabe, contudo, se o confinamento em guetos já fazia parte de um plano que previa o genocídio do Holocausto. 
Três semanas após a invasão da Polônia o chefe do Escritório Central de Segurança do Reich, Reinhard Heydrich, ordenou que os judeus poloneses se mantivessem estreitamente agrupados. Para eles, o confinamento era justificado pela necessidade de excluir os judeus, tidos como uma praga.
O primeiro gueto foi estabelecido em Lodz, segunda maior cidade da Polônia, no início de 1940, e abrigou entre 160 mil e 200 mil pessoas em uma área de 3,2 quilômetros quadrados. O maior foi o de Varsóvia, formado no mesmo ano, onde foram confinados cerca de 500 mil judeus e ocorreu o mais significativo movimento de resistência judaica.
Nos guetos, a administração de assuntos da comunidade era de responsabilidade dos Jundenrte -- conselhos formados por judeus --, que se reportavam aos alemães. Essas organizações sofreram muitas críticas pela pouca resistência que ofereceram aos alemães. Integrantes dos Jundenrte acreditavam que, adotando uma conduta de colaboração com os nazistas, poderiam aliviar o sofrimento da população do gueto, onde suas condições eram precárias, sem comida, muitas doenças e  mortes se espalharam.
Outros guetos importantes foram os de Cracvia, com aproximadamente 72 mil judeus, Lublin, com cerca de 40 mil, e Vilna, com algo em torno de 60 mil.
A partir de 15 de outubro de 1941 uma nova ordem de conduta alemã passou a punir com pena de morte os judeus que deixavam os guetos. Nessa situação, os nazistas armados controlavam tudo. Difícil, então, imaginar que qualquer tipo de resistência seria possível.

Campos de Concentração Nazistas
Os campos nazistas do Holocausto eram localizados basicamente na Polônia, onde havia a maior concentração de judeus na Europa. Era para lá que seguiam os comboios ferroviários com prisioneiros deportados das regiões ocupadas.
Os campos de Sobibor, Belzec, Chelmno e Treblinka funcionaram entre 1941 e 1943. Auschwitz-Birkenau e Majdanek eram imensos, construídos ao redor de complexos industriais que também possuiam câmaras de extermínio mantidas em operação até 1944.
Para facilitar o transporte dos prisioneiros, os campos eram construídos nas proximidades das linhas ferroviárias. Os trens chegavam superlotados. Nos vagões de janelas minúsculas não havia comida, água e agasalhos, o que provocava a morte de muitos por frio, fome ou sede durante o transporte. Separados de suas famílias, os que chegavam vivos eram selecionados de acordo com o estado de saúde, para trabalhos forçados ou extermínio.
Campo de Auschwitz
No complexo de Auschwitz, no sul da Polônia, junto cidade de Oswiecim, na alta Silsia, as estimativas mais confiáveis indicam que tenham sido exterminadas entre 1,3 milhões e 1,5 milhões de pessoas em câmaras de gás.
Este foi o maior entre os dois mil campos de concentração e trabalhos forçados construídos pelos nazistas. Ali foram mortos cerca de 1,2 milhões de judeus (25% do total de judeus mortos na guerra), 150 mil poloneses, 23 mil ciganos e 15 mil soviéticos.
Quando as forças soviéticas libertaram o campo, na tarde de 27 de janeiro de 1945, encontraram gigantescas pilhas com cerca de 850 mil vestidos, 350 mil ternos, milhares de pares de sapatos e montanhas de roupas de crianças, além de oito toneladas de cabelos humanos que seriam utilizados como enchimento de travesseiros.
As tropas soviéticas libertaram 7.650 presos, a maioria dos quais mal podia se locomover. Alguns dias antes da chegada dos soviéticos, os alemães tiveram o cuidado de dinamitar as instalações de extermínio do Holocausto e de queimar quase todos os arquivos. Os documentos que sobraram foram divididos entre soviéticos e poloneses.
O campo de Auschwitz tornou-se o símbolo da barbárie nazista. Era uma linha de produção da morte desenvolvida de forma a envolver o maior número de pessoas, com a máxima economia de recursos, aproveitando os cadáveres como matéria-prima para a produto industrial de sabão.

Campos de Concentração Americanos
Os Estados Unidos também instalaram campos de concentração durante a Segunda Guerra. Após o ataque da marinha japonesa a base americana de Pearl Harbor, no Havaí, em 7 de dezembro de 1941, foram criados espaços chamados de "campos de internamento" para abrigar os japoneses e seus descendentes, basicamente imigrantes residentes na Califórnia.

Campo de Concentração Japonês
O médico japonês Ken Yuasa, cirurgião do Exército Imperial durante a Segunda Guerra, fez em 1994 denúncias que as autoridades de seu país evitaram comentar. Ele trabalhou na Unidade 731, a que se dedicava aos estudos da guerra bacteriológica e química que tentou aprimorar a medicina militar através de experiências em seres humanos vivos, realizando testes no norte da China, colocava japoneses aos efeitos do gás mostarda (mortífero) e injetava vírus igualmente mortíferos em prisioneiros de guerra ingleses, depois os observava e anotava todas as suas reações.
Os Estados Unidos tentaram fazer um acordo propondo o seguinte: se os japoneses entregassem os resultados dessas pesquisas o caso da Auschwitz japonesa seria esquecido de modo internacional (sem interferência da ONU) e seria problemas dele. Mas o Japão no concordou, pois estes dados são valiosíssimos para a corrida químico-tecnológica, e até hoje se estica a briga judicial.

Resistências
Enquanto muitas histórias contam que, durante o Holocausto, os judeus eram descritos como: sheep to the slaughter (carneiro para matar), a realidade é que a reação dos judeus diante da discriminação no foi assim tão dócil.
Entre as décadas de 30 e 40, os judeus da Polônia reagiram contra essa situação, fazendo boicotes aos europeus, porém, nazistas continuaram a fazer leis contra os judeus. No começo dos anos 30, os Ghettos foram criados, grupos de judeus tiveram que deixar suas casas para morarem em outra parte da cidade.
Resistência armada em Ghettos:
Apesar de pesarmos o contrário, resistências armadas de judeus ocorreram durante o Holocausto. Muitas pessoas que participaram desses movimentos foram procuradas e mortas. Alguns desses acontecimentos foram:
Tuchin Ghetto: em 3 de setembro de 1942, 700 famílias judias escaparam deste ghetto em Ukraine. Eles foram encontrados e apenas 15 sobreviveram.
Warsaw Ghetto: em 1943, os residentes desse ghetto tinham organizado um movimento com 1.000 deles sem armamento ou qualquer tipo de equipamento juntamente com jovens sem nenhuma experiência, sendo que nesse período, quase da metade da população estava doente, morrendo de fome e frio.
Em janeiro de 43, a S.S. entrou no ghetto para procurar por mais judeus que iriam para os campos de concentração, foram surpreendidos por bombas e alguma armas de fogo, vinte soldados morreram. Mas para controlar os habitantes foram chamadas 3.000 tropas alemães e 7.000 homens de reforço. O ghetto foi então destruído, e mais de 15 mil judeus foram mortos e a maioria levada para campos de concentração.
Bialystok Ghetto: organizações de parlamentares judeus formados dentro dos ghettos atacaram as tropas alemães quando estava determinado que os nazistas iriam liquidá-los. A batalha durou apenas um dia até que os residentes foram capturados e mortos.
Vilna Ghetto: alguns habitantes começaram a conspirar contra os nazistas em setembro de 43. Muitos foram mortos, mas alguns escaparam com sucesso.
Treblinka: 700 judeus tiveram sucesso em explodirem o campo em agosto de 43. Porém foram mortos durante a Guerra, apenas 12 sobreviveram.
Sobibor: prisioneiros judeus e russos montaram uma trajetória de fuga. Apenas 60 dos 600 prisioneiros sobreviveram, 10 soldados da S.S. foram mortos.
Aschwistz: dia 7 de outubro de 1944 uma das crematórias de Auschwitz foi explodida por sonderkommandos. Estes eram trabalhadores, a maioria judeus, cujo trabalho era jogar fora os corpos dos mortos em câmaras de gás.

Experimentos Biológicos
Os médicos trabalharam em conjunto com os agentes das SS no extermínio do Holocausto promovido pelo estado nazista, atuando como soldados biológicos. Na época estavam muito em evidência as teses sobre eugenia, ciência que estuda as condições mais propícias ao "melhoramento" da raça humana. Foi em nome dela que os médicos nazistas cometeram várias atrocidades.
Para os nazistas não eram os problemas sociais como as carências econômicas e sociais que causavam a marginalidade dos não-arianos. Ao contrário, a congênita "inferioridade racial" desses indivíduos que criava tais problemas. Dessa maneira, definiam as execuções como sendo de caráter humanitário, misericordioso, para aqueles "condenados pela seleção natural".
Como para a medicina nazista a boa saúde era característica da superioridade racial ariana, ela deveria ser mantida a qualquer custo. Por essa razão, de 1933 até o início da guerra os alemães considerados "doentes incuráveis" foram submetidos esterilização para que o "mal" que carregavam não fosse proliferado. "doentes incuráveis" que foram esterilizados estavam, conforme relato de Robert Lifton no livro The Nazi Doctors, "60 mil epiléticos, 4 mil cegos hereditários, 16 mil surdos hereditários, 20 mil pessoas com má formação no corpo, 10 mil com alcoolismo hereditário, 200 mil doentes mentais, 80 mil esquizofrênicos e 20 mil maníacos-depressivos".
Lifton cita em seu livro o caso do médico Eduard Wirths, de Auschwitz, que inoculava o bacilo do tifo em judeus sos, sob a justificativa de que estes, naturalmente condenados a morrer, poderiam servir de cobaias para testes de vacinas.
Muitos morreram em "experiências médicas" que incluam exposição a alta pressão e congelamento. Para reforçar o caráter médico das execuções, muitas vezes uma ambulância pintada com as cores da Cruz Vermelha acompanhava os assassinatos.
Muitos médicos se destacaram pela crueldade de seus métodos, entre eles Josef Mengele, de Auschwitz, que fazia experimentos genéticos especialmente em gêmeos. Segundo o professor Robert Proctor, autor de A Higiene Racial - A Medicina na época dos Nazistas, editado pela Harvard University Press, em Cambridge, Massachusetts, "o nazismo era nada mais do que a aplicação dos conhecimentos biológicos". Para ele, tanto a teoria quanto a prática da doutrina nazista tiveram como ponto central a aplicação de uma política biológica.

Conclusão
Sendo assim, o holocausto significou uma das maiores matanças da humanidade, visou principalmente os judeus, mas não poupou ciganos, negros, homossexuais, comunistas e doentes mentais.
Além disso, extinguiu os partidos políticos, implantando o monopartidarismo e levando para os campos de concentração todos que se opunham ao regime.



Por: Edna Maria Guimarães