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terça-feira, 21 de abril de 2015

A Magna Carta

Geoff Pick, da prefeitura de Londres, exibe um exemplar da Magna Carta, para muitos, o mais importante documento da História da Inglaterra (Foto: Carl Court/AFP)



CERTIDÃO DE IGUALDADE

A Magna Carta, o documento que há 800 anos, na Inglaterra, estabeleceu que ninguém está acima das leis, nem o rei. 

Escrita em latim num pergaminho de couro, nos arredores de Londres, há 800 anos, a Magna Carta é mais avançada em termos de direitos humanos e progresso social do que essas toscas experiências políticas em voga atualmente no mundo. 
Se aplicada na Venezuela de Nicolás Maduro, na Argentina de Cristina Kirchner ou na Rússia de Vladimir Putin, a Magna Carta de 1215 seria um choque de democracia.

“Nenhum homem será aprisionado ou privado de sua propriedade, ou tornado fora da lei, ou exilado, ou de maneira alguma destruído, nem agiremos contra ele ou mandaremos alguém contra ele, a não ser por julgamento legal dos seus pares, ou pela lei da terra. A ninguém recusaremos ou postergaremos direito ou justiça”, lê-se no trecho de influência mais perene.

A essência do documento, que em 15 de junho completará oito séculos, foi, pela primeira vez na história, impor limites a um monarca, no caso o rei João. O acerto inicial beneficiou apenas os barões do reino. Mas seu escopo foi ampliado com o tempo para todos os habitantes da Inglaterra. A Magna Carta serviu de base para as democracias modernas ao dar vida ao que hoje se conhece por “estado de direito”. Nenhum monarca, czar ou caudilho pode colocar-se acima das leis dos homens.
O rei que se viu obrigado a deixar esse legado democrático foi um símbolo máximo do autoritarismo. Em 1199, com a morte de seu irmão Ricardo Coração de Leão, João herdou o trono. Como Ricardo havia indicado seu sobrinho Artur para a cadeira, João o matou. Segundo um cronista daquele tempo, antes Artur foi mutilado. Outro diz que João esmagou a cabeça do sobrinho com uma pedra e jogou o corpo no rio. O ano era 1203 e Artur tinha 16 anos.
João também tomava para si as mulheres e filhas dos senhores feudais, que eram obrigados a se sujeitar à humilhação como prova de lealdade. Matilda de Briouze, a mulher de um barão que ousou dizer não, foi presa com o filho em um castelo, sem comida. Foi encontrada morta depois de cravar os dentes na bochecha do garoto, que sucumbira de fome.

Na Baixa Idade Média (séculos XI ao XV), o reconhecimento da autoridade de um rei, acima dos senhores feudais, foi um enorme avanço social e económico. Um monarca com poder incontestável sobre determinado território tornou o comércio mais seguro e diminuiu a violência das insurreições populares. João, porém, abusou de sua autoridade, cobrando impostos extorsivos para financiar suas guerras e punindo cruelmente quem se recusasse a pagar. Revoltados, os barões tomaram Londres. Acuado, o rei aceitou todas as demandas. Cópias do pergaminho, com o selo do monarca, foram enviadas para ser lidas nos púlpitos das igrejas.

Entre as determinações da Magna Carta consta que os impostos não poderiam mais ser criados sem o consentimento dos pagadores de impostos. Além disso, as viúvas dos barões não poderiam mais ser obrigadas a se casar com quem o rei determinasse. Prisões arbitrárias não seriam mais toleradas, e todos teriam direito a um julgamento correto. Um conselho de 25 homens foi formado para supervisionar as atitudes do monarca.
Um mês depois de aceitar os termos da Magna Carta, o rei João voltou atrás e recorreu ao papa para que a cancelasse. João morreu de disenteria na guerra interna contra os barões do reino.

As ideias centrais do documento foram um marco na evolução das sociedades e inspiraram muitos outros eventos libertários. A Revolução Gloriosa, de 1688, foi um exemplo. Os ingleses, 473 anos depois da Magna Carta, rebelaram-se contra Jaime II, que foi afastado pacificamente, sem o banho de sangue que se viu na Revolução Francesa.

Em Paris, o objetivo era destruir o sistema para construir outro, novo e perfeito. Para os franceses, só isso caracterizaria uma revolução. 

O político irlandês Edmund Burke (1729-1797), o primeiro e talvez o maior crítico da Revolução Francesa, desmontou facilmente o argumento. Para Burke, que previu com anos de antecedência a degeneração para o terror do experimento parisiense, a superioridade da Revolução Gloriosa não estava em ter ocorrido mais de 100 anos antes nem em ter sido incruenta, mas em ter respeitado as “complexidades da natureza humana e da vida em sociedade”.

No século seguinte, a independência americana foi herdeira da Magna Carta, ecoada na Quinta Emenda da Constituição: “Ninguém pode ser privado de sua vida, liberdade ou propriedade sem o devido processo legal”. 

Em 2008, um juiz americano citou o texto medieval em sua defesa, de que os detidos em Guantánamo tivessem direito a julgamento em tribunal e não pela Justiça Militar.

Uma cópia da Magna Carta vai ser exposta em Brasília em julho. Findas as celebrações, ela volta a Londres. Perfeito seria se seus princípios ficassem.


segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Quadro económico e demográfico da Europa - século XI ao XIII


 

 

 


O QUADRO ECONÓMICO E DEMOGRÁFICO: EXPANSÃO E LIMITES DO CRESCIMENTO


Depois de longos séculos de crise e instabilidade, a Europa reencontrou, de novo, a sua força e o seu espírito empreendedor. Entre o século XI e o século XIII, o Ocidente viveu um período de acentuada prosperidade económica. Esta prosperidade atingiu, antes de mais, o mundo rural, saldando-se por um importante desenvolvimento agrícola.

* O desenvolvimento agrícola
O primeiro aspeto a considerar é a expansão da superfície cultivada. No ano mil, as florestas cobriam a Europa, ocupando uma enorme parte do solo, em detrimento da terra cultivada. No decurso dos três séculos seguintes, os homens desbravaram bosques, amanharam baldios e secaram pântanos, transformando-os em terras de lavoura. Estes grandes arroteamentos ficaram a dever-se à ação individual de muitos camponeses, mas, sobretudo, à iniciativa conjunta de reis, senhores laicos, ordens monásticas (Cluny, Cister, etc.) e até cidades. Eram, afinal, os que mais capacidades tinham para enquadrar os camponeses, fornecer as primeiras sementes, os instrumentos de trabalho, os materiais de construção. Associada a estes arroteamentos esteve a fundação de novas povoações, cujos habitantes beneficiaram da concessão de terras e outros incentivos, por parte dos senhores ou dos monarcas. Este fenómeno, que se acentuou no século XIII, deixou as suas marcas no nome de muitas localidades: «aldeia nova de ...», «vila nova de ...», «salvaterra» são, em Portugal, topónimos que, geralmente, datam desta época.
Ao mesmo tempo que aumentava a superfície cultivada, um conjunto de progressos técnicos permitia um melhor aproveitamento do solo:
• O emprego crescente do ferro nos utensílios agrícolas, nomeadamente na charrua, auxiliou o esforço dos cultivadores, permitindo abrir mais profundamente o solo e fixar melhor as sementes.
• A canga frontal para os bois e a coelheira rígida para os cavalos possibilitaram um melhor aproveitamento da força animal.
• O afolhamento com rotação trienal de culturas, que substituiu a tradicional divisão da terra em apenas duas folhas (uma lavrada e outra em pousio), permitiu granjear, cada ano, uma maior parcela de terreno.
 • A fertilização dos campos com marga (argila calcária) e cinzas e a maior utilização de estrume animal melhorou a qualidade dos solos.
Todos estes aspetos se traduziram por um aumento da produtividade agrícola que, acompanhada pelo incremento da pecuária, fez crescer significativamente as disponibilidades alimentares da Europa.

* O crescimento demográfico
Nos tempos medievais, a abundância de alimentos reflete-se, de imediato, no número de homens. Quando as grandes fomes recuaram, diminuíram também as epidemias porque, melhor alimentada, a população tornou-se mais resistente à doença. Dispondo de bens essenciais, de um clima geral de paz e de um desenvolvimento económico em todos os sectores, a Europa viu, entre os séculos XI e XIII, a sua população prestes a duplicar. Na zona ocidental, onde este surto demográfico foi mais acentuado, a Europa tornou-se, no dizer dos historiadores, «um mundo cheio». Para além do sector agrícola, a prosperidade fez-se sentir no comércio e no artesanato, que registaram, também, grande desenvolvimento. O seu dinamismo contribuiu, em muito, para o renascimento das cidades, que, finalmente, recuperaram do marasmo em que tinham mergulhado desde a queda do Império Romano.

* O surto urbano
Em torno dos velhos castelos senhoriais, junto aos portos ou às vias de circulação, de origem romana ou de fundação mais recente, as cidades aumentam em número e em tamanho. Para além de crescerem, as cidades transformam-se. Anteriormente eram, sobretudo, centros políticos, militares ou religiosos, derivando a sua importância da dignidade do nobre ou do bispo que as habitava. A partir do século XII, as cidades medievais assumem uma feição essencialmente económica. Nelas se estabelecem mercadores, banqueiros, artesãos, lojistas, que as animam e enriquecem. São eles os mais característicos habitantes do burgo e, por isso, tomam o nome de burgueses. Assim se individualiza um novo grupo social, a burguesia, que para sempre permanecerá ligado à cidade e às suas atividades. Mas nem só de comerciantes e artesãos se anima a cidade medieval. A ela afluem nobres à procura de divertimentos e artigos de luxo, peregrinos em busca de hospitalidade, desenraizados na esperança de uma vida melhor. A cidade assume-se, pois, como um pólo de atração, em permanente crescimento, atingindo o seu auge no início do século XIV, antes que a mortífera Peste Negra venha dizimar boa parte dos seus habitantes. Devemos ter presente que o conceito de cidade abrangia, então, aglomerados bem pequenos, às vezes de um milhar de habitantes.

* A dinamização das trocas locais e regionais
Embora muitas cidades se animassem, em determinadas épocas do ano, com a realização de grandes feiras internacionais, eram os pequenos mercados de dominante agrícola que alimentavam a vida económica corrente, estabelecendo uma ligação contínua entre a cidade e os campos mais próximos. As necessidades de abastecimento da população urbana representavam para o camponês um mercado certo, onde podia vender com proveito os seus excedentes: cereais, frangos, ovos, queijo, legumes, lã. Embora pesadas, as rendas senhoriais eram, normalmente, fixas, o que estimulava o agricultor a produzir mais, visto que o excedente revertia em seu benefício. Evidentemente que só eram assíduos ao mercado os camponeses das aldeias mais próximas e esses não chegavam para satisfazer a procura. Estima-se que a área de abastecimento de uma cidade de 10 a 20 mil habitantes pudesse abranger um raio de 50 km e essa distância não era, salvo raras ocasiões, percorrida pelo camponês. As ligações cidade-campo estabeleciam-se, neste caso, através de profissionais, os almocreves, que atuavam como intermediários, abastecendo a cidade de géneros alimentícios e as zonas agrícolas de produtos manufaturados. Também de realçar é o papel dos senhores, leigos e eclesiásticos, que na cidade tinham os seus palácios. Proprietários de grandes domínios, recebiam parte das rendas em géneros, que mandavam comercializar no mercado local. O mesmo se passava com mosteiros e abadias, cujos excedentes chegavam regularmente à cidade. Regulamentar o mercado e abastecer eficazmente a cidade tornou-se uma preocupação e um dever das autoridades urbanas. Era necessário garantir que os produtos chegassem ao seu destino, pelo que se proibia a venda pelo caminho ou fora das horas regulamentares. Havia também que evitar os aumentos exagerados dos preços. As medidas tomadas nesse sentido eram rígidas: limitavam-se as quantidades que cada um podia adquirir e puniam-se severamente todos os comerciantes que tentassem enganar o comprador, praticando um preço mais elevado. Este mercado local, pela sua incansável repetição, representava o maior volume de trocas desta época, contribuindo decisivamente para a afirmação da economia monetária. Toda a vida económica beneficiou do seu impulso e, pouco a pouco, a rede de trocas foi-se alargando a circuitos mercantis mais vastos e organizados. Um intenso comércio regional reanimou as estradas e os rios europeus estabelecendo, de novo, as ligações entre os centros de produção e de consumo.

AS GRANDES ROTAS DO COMÉRCIO EXTERNO 
Nos séculos XII e XIII o comércio europeu organiza-se em dois conjuntos económicos que coincidem basicamente, com as zonas industriais mais ativas: o Norte, flamengo e alemão, navega e mercadeja no Atlântico, no mar do Norte e no Báltico; o Sul, liderado pelos mercadores italianos, utiliza o Mediterrâneo, ainda e sempre via privilegiada de circulação. Estes dois mundos, geograficamente diferentes, atraem-se e completam-se. A sua ligação faz-se por via terrestre, numa longa estrada norte-sul. É nesta via de ligação, onde se cruzam mercadores e mercadorias, que se desenvolve um terceiro pólo económico: as feiras da Champagne.

* A Flandres
Desde cedo que, na Flandres, uma ativa indústria de lanifícios fez prosperar as cidades. Gand, Ypres, Bruges, Donai, entre outras, eram cidades manufatureiras cujos tecidos chegavam a toda a Europa e até, por intermédio dos italianos, ao Oriente. À prosperidade trazida pela indústria juntava-se a riqueza conseguida no comércio. A Flandres atraía, por força da sua posição geográfica, mercadores dos quatro cantos da Europa: do Norte, vinham os alemães, das cidades hanseáticas. Traziam os produtos do Báltico e das longínquas regiões da Rússia. Do Sul chegavam os italianos, primeiro por terra, atravessando os Alpes e a França, depois por via marítima, através do estreito de Gibraltar. Transportavam produtos mediterrânicos e especiarias orientais. Com eles misturavam-se também Espanhóis, Portugueses, Ingleses, Franceses, entre muitas outras nacionalidades que aqui ocorriam para comprar e vender. As cidades flamengas, com destaque para Bruges, acolhem os mercadores estrangeiros com privilégios, concedendo-lhes residência e autorização para construírem as suas casas de comércio, com oficinas, armazéns, locais de carga e descarga. Bruges torna-se o local mais cosmopolita da Europa, onde se transacionam as peles, a madeira e a cera do Norte, os vinhos, o sal e o azeite da Península Ibérica, as lãs de Inglaterra, o alúmen da Síria e as especiarias do Oriente.

* O comércio da Hansa
Quando, no século XI, as trocas se reativaram, o comércio à distância era uma aventura arriscada, em que se perdiam muitas vezes homens e mercadorias. Cedo se desenvolveram, por isso, associações mercantis destinadas a assegurar a proteção dos comerciantes de uma cidade ou região e a defender os seus interesses: as hansas ou guildas. De todas estas associações, a que uniu as cidades do mar do Norte e do mar Báltico, conhecida como Hansa Teutónica, foi, sem dúvida, a mais poderosa, de tal modo que, muitas vezes, a ela nos referimos simplesmente como «a Hansa». A Hansa Teutónica era, pois, uma vasta associação de cidades (cerca de 90, nos seus tempos áureos) destinada a assegurar o monopólio do comércio do mar Báltico e, quanto possível, do mar do Norte. Hamburgo, Dantzig, Riga, Colónia e, em especial, Lubeque eram as principais cidades hanseáticas. Muito ativos, os comerciantes hanseáticos carregavam os cereais da Prússia e da Polónia, as peles, as gorduras, a cera e as madeiras da Rússia e da Noruega. De volta, enchiam os seus navios, grandes e pesados, os Kogge, com vinho e sal da França, lãs da Inglaterra, azeite do Mediterrâneo, tecidos da Flandres. Desempenhavam igualmente um papel importante no comércio entre a Flandres e a Inglaterra, chegando a transportar, no século XV, mais de 70% das mercadorias inglesas para a Flandres.

* As cidades italianas e o domínio do comércio mediterrânico
De todas as regiões europeias, as cidades italianas foram as que melhor preservaram, após a destruição do Império Romano e as conquistas do Islão, a memória e o saber das ligações mercantis. Amalfi, Génova, Pisa e Veneza dedicaram-se, bem antes do século XI, ao comércio marítimo, mantendo ligações com o Império Bizantino e, até, com Alexandria. O desencadear da Primeira Cruzada, em 1 095, marcou o recuo definitivo do domínio muçulmano no Mediterrâneo e a sua abertura ao comércio europeu. Inimigos e rivais, apesar de falarem a mesma língua, Genoveses, Venezianos e Pisanos concorriam entre si nas rotas comerciais que levavam à Ásia Menor, à Síria, ao Egipto. Por elas faziam chegar aos mercados europeus as especiarias, os tecidos, as pérolas, as pedras preciosas, o alúmen. Nas especiarias, sobretudo, assentava a sua riqueza: leves, de fácil transporte, tinham a venda sempre garantida e nunca frustravam, se a carga se não perdia, as expectativas de bons lucros. Da prosperidade das cidades italianas, industriosas e mercantis, falam as suas moedas de ouro, as primeiras a serem cunhadas na «Europa nova», e a ousadia dos seus mercadores, os primeiros a demandarem o longínquo Oriente. Durante mais de dois séculos, até os Portugueses desvendarem as Índias e os seus caminhos, foi o relato das viagens de Marco Pólo, mercador veneziano, que alimentou a imagem do Oriente, das suas riquezas e do seu poderio.

* As feiras da Champagne
Na época que estudamos, os mercadores eram sobretudo viajantes, «pés poeirentos» que calcorreavam as estradas europeias, ou homens capazes de afrontar os riscos do mar. Deslocavam-se incessantemente, comprando num lado, vendendo no outro, acorrendo aos locais onde o negócio era mais certo ou prometia maiores ganhos. Em algumas regiões, favorecidas pelas condições geográficas e pelos privilégios dos senhores, desenvolveram-se feiras periódicas que, rapidamente, atingiram dimensão internacional. Para atrair os feirantes, reis e senhores ofereciam condições vantajosas de alojamento e armazenamento, bem como isenção ou redução dos impostos costumeiros. Garantiam, também, a segurança dos mercadores, quer na própria feira, quer na viagem de ida e volta, através de um conduto que os punha a salvo de agressões e processos judiciais (salvo-conduto). Entre todas as feiras medievais destacam-se as que, na Champagne, se realizavam nas cidades de Lagny, Bar-sur-Aube, Provins e Troyes. Situadas em pleno eixo de ligação entre o Norte flamengo e o Sul italiano, as feiras champanhesas eram o ponto de encontro dos mercadores da Europa e de tudo o que eles tinham para oferecer. O calendário das feiras, muito preciso e encadeado, estendia-se ao longo de todo o ano, o que tornava a Champagne num autêntico mercado contínuo.

* As novas práticas comerciais e financeiras
O desenvolvimento comercial dos últimos séculos da Idade Média estimulou a criação de novas técnicas de negócio. Grandes negócios implicam grandes investimentos, grandes riscos e abundantes meios de pagamento. É, pois, natural que os mercadores medievais tenham inventado práticas novas que lhes proporcionassem facilidade e segurança nas suas transações. Foi assim que surgiram as primeiras sociedades comerciais, os primeiros seguros e os primeiros pagamentos em papel, como o cheque e a letra de câmbio. Em apoio de todo este pioneirismo financeiro e comercial desenvolveu-se a atividade dos cambistas ou banqueiros. Estes, sempre presentes nas feiras e nas principais praças comerciais, onde era constante a troca de moedas, depressa alargaram a sua atividade, aceitando depósitos e realizando transferências de dinheiro, bem como operações de crédito. Deste modo se esboçaram as primeiras atividades bancárias tal como as concebemos hoje. Inicialmente encarados com maus olhos pela Igreja, que condenava o lucro e o comércio de dinheiro, mercadores e banqueiros viram, a partir do século XII, a sua posição social reconhecida e o seu ganho legitimado pelos benefícios que a vida económica deles retirava. Profissões novas, pioneiras, tinham conquistado, na expressão de Lucien Febvre, o direito à História.

domingo, 20 de maio de 2012

Banhos na Idade Média

 

Romanos e Árabes haviam trazido para a península práticas que, em Portugal, iriam perdurar mesmo na Idade Média. Banhar o corpo, porém, não implicava então um estrito conceito de limpeza.
Na Grécia, o banho era uma extensão necessária da prática de ginástica: um banho revigorante, frio e breve. Em Roma e no Islão estava implicita a ideia de repouso e de convívio: uma prática social, um ritual simbólico.
O banho comunal na Idade Média e o banho Turco, nas numerosas formas que assumiu na Europa, tinham fins semelhantes. A isso se refere Georges Vigarello em "O Limpo e o Sujo": «Em setembro de 1462, o duque Philippe le Bon ofereceu um jantar aos embaixadores do rico duque da Baviera e do conde de Würtenberg e mandou servir cinco pratos de carne para festejar nos banhos».
A ideologia cristã, no entanto, viria a instaurar preconceitos e a impor uma outra moral e consequentes novos costumes. Não que a igreja não se ativesse à limpeza dos corpos. Mais temia, contudo, pela sujidade das almas: os hábitos promiscuos eram uma porta aberta ao pecado. Havia assim que evitar os banhos públicos, locais «propícios à devassidão e ao amolecimento dos costumes»("A Sociedade Medieval Portuguesa" de A.H. de Oliveira Marques).
O elemento essencial na casa medieval é a sala, onde se reúne toda a família. Refeições, baptismos, casamentos, veladas dos mortos, reuniões de família,.... Isto acontece tanto nas casas de camponeses como nos castelos. As mesas são simples tábuas que se montam sobre cavaletes no momento de servir e que se guardam seguidamente junto às paredes para não estorvarem. As outras divisões são apenas acessórias, mas existem. A cozinha é separada, ocupando um edifício à parte para limitar os riscos de incêndio.
Os quartos são mobilados com mais conforto do que geralmente se crê. O mobiliário compreende as camas bem adornadas e cobertas de colchas e de tapetes, com lençois brancos e peles, os tamboretes, as cadeiras de espaldar alto e esses baús e cofres esculpidos, onde se guarda a roupa. Adjacente os quartos existiam os redutos chamados privados, aquilo que nos habituamos a chamar de W.C.. Por espantoso que possa parecer não faltava em nenhuma casa da Idade Média. A delicadeza ia mesmo muito longe neste aspecto, pois parecia pouco refinado não possuir as suas retretes particulares.A regra manda que cada um tenha as suas e seja o único a utiliza-las. Os costumes só se tornaram grosseioros neste ponto a partir do século XVI, que aliás viu serem desprezadas quase todas as práticas de higiene que a Idade Média conhecia.

Se não se tomava banho todos os dias na Idade Média (poder-se-à afirmar que se trata de um hábito generalizado na nossa época?), pelo menos os banhos faziam parte da vida corrente. A banheira é uma peça do mobiliário. Não passa muitas vezes de uma simples tina, e o seu nome dolium, que significa também tonel, pode prestar-se a confusões. Gostava-se muito de ir, no Verão, folgar para os rios, na mais simples indumentária, pois a ideia de pudor de então era muito diferente da que temos hoje em dia, e tomava-se banho nú, tal como se dormia nú entre os lençois.
Tudo isto está longe das ideias aceites acerca do asseio na Idade Média, e contudo os documentos existem. O erro proveio de uma confusão com as épocas que se seguiram
Com os grandes surtos epidémicos instala-se a convicção de que a água, por efeito da pressão e sobretudo do calor, abria os poros e tornava o corpo receptivo à entrada de todos os males. Desde o século XV que os médicos condenavam a utilização dos balneários públicos e das estufas. defendiam a teoria de que «depois do banho, a carne e o hábito do corpo amolecem e os poros abrem-se e, assim, o vapor empestado pode entrar prontamente no corpo e provocar a morte súbita» ("O Limpo e o Sujo"). As normas de civilidade ca corte, a aprtir do século XVI preconizam que lavar é antes friccionar; limpeza a "seco".«As crianças limparão o rosto e os olhos com um pano branco, que desengordura e deixa a pele na sua constituição e tom natural. A água prejudica a vista, provoca dores de dentes e catarro» ("O Limpo e o Sujo").

domingo, 8 de abril de 2012

Saúde e Doença na Idade Média: entre o castigo e a redenção


"A extração da pedra da loucura" (1485), do pintor italiano Hieronymus  Bosch (1450-1516), retrata a conceção medieval que supunha a loucura como uma pedra no cérebro. Bosch, na sua imaginação, no momento da extração da doença, coloca no lugar da dureza da pedra a delicadeza de uma flor. A imagem que se tinha da loucura era de algo místico, desconhecido, considerado o lugar imaginário da passagem da vida à morte.


Na Idade Média, o espetáculo da doença e da morte atingia a todos. Para ludibriar a morte, evitava-se o contato, a proximidade, o toque e, ao mesmo tempo, buscava-se neutralizar com perfumes e com máscaras os odores que corrompiam o ar. Por isso, os médicos que cuidavam de doentes com a peste negra usavam máscara como uma forma de proteção. O formato de um bico de pássaro era para distanciar ainda mais o contato com o ar pestilento.


O Navio dos Loucos, pintura de Hieronymus Bosch (1450 - 1516), apresenta, de forma alegórica, a devassidão e a profanidade presentes em todos os grupos sociais da Idade Média, incluindo o Clero, como se pode ver na imagem onde são retratados uma freira e um frade franciscanos que se encontram tão distraídos, tentando fincar os dente num pedaço de pão pendurado por um fio, que nem reparam que um ladrão tenta roubar o pouco que lhes resta. Na imagem, mais uma vez, a morte é representada pela caveira na árvore.

(Fonte: www.wikipedia.org - em junho de 2010)

Carlos Batistella

Com a queda do Império Romano e a ascensão do regime feudal, por volta do ano 476 d.C., evidenciaram-se o declínio da cultura urbana e a decadência da organização e das práticas de saúde pública. As instalações sanitárias tanto na sede como nas províncias do antigo Império foram destruídas ou arruinaram-se pela falta de manutenção e reparos (Rosen, 1994).

Enquanto no Ocidente a desmantelação da máquina do governo e o declínio económico fazia o Império agonizar, no Oriente, em Bizâncio (hoje Istambul, Turquia), onde as invasões bárbaras não chegaram a ameaçar, foram mantidas várias das conquistas do mundo clássico e a herança da tradição médica greco-romana.

A Idade Média (500-1500 d.C.) foi marcada pelo sofrimento impingido pelas inúmeras pestilências e epidemias à população.

A expansão e o fortalecimento da Igreja são traços marcantes desse período.

O cristianismo afirmava a existência de uma conexão fundamental entre a doença e o pecado. Como este mundo representava apenas uma passagem para purificação da alma, as doenças passaram a ser entendidas como castigo de Deus, expiação dos pecados ou possessão do demónio.

Consequências desta visão, as práticas de cura deixaram de ser realizadas por médicos e passaram a ser atribuição de religiosos. No lugar de recomendações dietéticas, exercícios, chás, repousos e outras medidas terapêuticas da medicina clássica, são recomendadas rezas, penitências, invocações de santos, exorcismos, unções e outros procedimentos para purificação da alma, uma vez que o corpo físico, apesar de albergá-la, não tinha a mesma importância.

Como eram poucos os recursos para deter o avanço das doenças, a interpretação cristã oferecia conforto espiritual, e morrer equivalia à libertação (Rosen, 1994).

A difusão da igreja católica e da sua visão tornou marginal qualquer explicação racional que pretendesse aprofundar o conhecimento a partir da observação da natureza.

As ciências, e especialmente a medicina, eram consideradas blasfémias diante do evangelho. A especulação científica era, portanto, desnecessária (Scliar, 2002). Assim, o desenvolvimento da medicina só teve continuidade entre os árabes e judeus, onde a tradição de Hipócrates e Galeno de Pérgamo foi acrescida de importantes estudos em farmacologia e cirurgia. Destacam-se nesse período Avicena (980-1037) e Averróis (1126-1198).

O medo das doenças era constante nos burgos medievais. Dentre as inúmeras epidemias que aterrorizavam as populações (varíola, difteria, sarampo, influenza, ergotismo, tuberculose, escabiose, erisipela, etc.), a lepra e a peste bubónica foram, sem dúvida, aquelas de maior importância e preocupação.

Caso emblemático, a lepra era tida como manifestação evidente da impureza diante de Deus, e os seus portadores deveriam ser condenados ao isolamento, conforme descrição bíblica. Considerados mortos, rezava-se uma missa de corpo presente antes dos mesmos seguirem para o leprosário. Aqueles que vagueassem pelas estradas deveriam usar vestes características e fazer soar uma matraca para advertir os outros da sua perigosa ameaça. Todo o estigma e as consequências do seu diagnóstico fizeram da lepra a doença mais temida nesse período (Rosen, 1994; Scliar, 2002).

A peste bubónica, por sua vez, marcou o início e o ocaso da Idade Média. Causada por uma bactéria, Pasteurella pestis, transmitida pela pulga de ratos, a doença foi responsável pela morte de cerca de ¼ da população europeia em 1347. Dentre as principais causas apontadas estavam as viagens marítimas e o aumento da população urbana, que, somados aos conflitos militares, aos intensos movimentos migratórios, à miséria, à promiscuidade e à falta de higiene nos burgos medievais, tornaram o final deste período histórico digno da expressão muitas vezes evocada para descrevê-la: a idade das trevas.

Ainda que limitadas, algumas ações de saúde pública foram desenvolvidas na intenção de sanear as cidades medievais. A aglomeração crescente da população – que chegava trazendo hábitos da vida rural, como a criação de animais (porcos, gansos, patos) –, o acúmulo de excrementos nas ruas sem pavimentação, a poluição das fontes de água, a ausência de saneamento e as péssimas condições de higiene, produziam um quadro aterrador. Buscou-se então garantir o suprimento de água aos moradores para beber e cozinhar; pedia-se que não fossem lançados animais mortos ou refugos na corrente do rio; proibia-se a lavagem de peles e o despejo de resíduos dos tintureiros nas águas que serviam à comunidade.

Somente no final da Idade Média é que, pouco a pouco, foram sendo criados códigos sanitários visando normalizar a localização de chiqueiros, matadouros, o despejo de restos, o recolhimento do lixo, a pavimentação das ruas e a canalização de dejetos para poços cobertos (Rosen, 1994). Ainda assim, é preciso lembrar que os hábitos culturais dos habitantes tornavam boa parte das medidas inócuas.

Também na Idade Média é que surgem os primeiros hospitais. Originados da igreja, nas ordens monásticas, inicialmente estavam destinados a acolher os pobres e doentes.

Para Foucault (1982a: 99-100), antes do século XVIII, o hospital era essencialmente uma instituição de assistência aos pobres. Instituição de assistência, como também de separação e exclusão. O pobre como pobre tem necessidade de assistência e, como doente, portador de doença e de possível contágio, é perigoso. Por estas razões, o hospital deve estar presente tanto para recolhê-lo quanto para proteger os outros do perigo que ele encarna. O personagem ideal do hospital, até ao século XVIII, não é o doente que é preciso curar, mas o pobre que está morrendo. É alguém que deve ser assistido material e espiritualmente, alguém a quem se deve dar os últimos cuidados e o último sacramento. (...) E o pessoal hospitalar não era fundamentalmente destinado a realizar a cura do doente, mas a conseguir a sua própria salvação.

Outra importante contribuição deste período foi a instituição da prática da quarentena para deter a propagação das doenças. O êxito da experiência do isolamento de leprosos – embora proposta por razões religiosas – reforçou a ideia da sua utilização para outras doenças comunicáveis. Diante da epidemia da peste, em meio a outras práticas baseadas na compreensão miasmática e no misticismo (como uso de perfumes, fogueiras purificadoras etc.), a retirada das pessoas da convivência e a sua observação até à garantia de que não estivessem doentes já apontavam uma preocupação com a natureza contagiosa de algumas doenças.

Surgida em 1348 em Veneza, principal porto de comércio com o Oriente, a quarentena consistia na notificação de casos suspeitos às autoridades e no isolamento e observação rigorosa de pessoas suspeitas, embarcações e mercadorias por quarenta dias, numa ilha situada na laguna. Posteriormente, outros locais foram designados com a finalidade de promover a reclusão quarentenária.

Como síntese desse período, parece-nos importante lembrar que, embora a natureza comunicável de algumas doenças fosse cada vez mais nítida - como a lepra e a peste –, a teoria miasmática ainda persistia como modelo explicativo. Ou seja, não havia evidência do elemento comunicável que não aqueles já sugeridos por Hipócrates: uma alteração atmosférica, onde águas estagnadas e matéria orgânica em decomposição corrompiam o ar. Naturalmente que, sob o poder da igreja, foram desautorizadas todas as iniciativas de avanço no conhecimento das causas das doenças e até mesmo de sugestão de qualquer explicação que estivesse além da fé. Aqueles que insistissem enfrentariam os tribunais da Inquisição.

FIOCRUZ

Postado por Eduardo Marculino http://historianovest.blogspot.pt/2012/02/saude-e-doenca-na-idade-media-entre-o.html

Nota: Expressões a bold da minha iniciativa (Nazaré Oliveira)

sábado, 17 de dezembro de 2011

Banhos na Idade Média

Romanos e Árabes haviam trazido para a península práticas que, em Portugal, iriam perdurar mesmo na Idade Média. Banhar o corpo, porém, não implicava então um estrito conceito de limpeza.
Na Grécia, o banho era uma extensão necessária da prática de ginástica: um banho revigorante, frio e breve. Em Roma e no Islão estava implicita a ideia de repouso e de convívio: uma prática social, um ritual simbólico.
O banho comunal na Idade Média e o banho Turco, nas numerosas formas que assumiu na Europa, tinham fins semelhantes. A isso se refere Georges Vigarello em "O Limpo e o Sujo": «Em setembro de 1462, o duque Philippe le Bon ofereceu um jantar aos embaixadores do rico duque da Baviera e do conde de Würtenberg e mandou servir cinco pratos de carne para festejar nos banhos».

 A ideologia cristã, no entanto, viria a instaurar preconceitos e a impor uma outra moral e consequentes novos costumes. Não que a igreja não se ativesse à limpeza dos corpos. Mais temia, contudo, pela sujidade das almas: os hábitos promíscuos eramuma porta aberta ao pecado. Havia assim que evitar os banhos públicos, locais «propícios à devassidão e ao amolecimento dos costumes».  
 



O elemento essencial na casa medieval é a sala, onde se reúne toda a família. Refeições, baptismos, casamentos, veladas dos mortos, reuniões de família,.... Isto acontece tanto nas casas de camponeses como nos castelos. As mesas são simples tábuas que se montam sobre cavaletes no momento de servir e que se guardam seguidamente junto às paredes para não estorvarem. As outras divisões são apenas acessórias, mas existem. A cozinha é separada, ocupando um edifício à parte para limitar os riscos de incêndio. Os quartos são mobilados com mais conforto do que geralmente se crê. O mobiliário compreende as camas bem adornadas e cobertas de colchas e de tapetes, com lençois brancos e peles, os tamboretes, as cadeiras de espaldar alto e esses baús e cofres esculpidos, onde se guarda a roupa. Adjacente os quartos existiam os redutos chamados privados, aquilo que nos habituamos a chamar de W.C.. Por espantoso que possa parecer não faltava em nenhuma casa da Idade Média. A delicadeza ia mesmo muito longe neste aspecto, pois parecia pouco refinado não possuir as suas retretes particulares.A regra manda que cada um tenha as suas e seja o único a utiliza-las. Os costumes só se tornaram grosseioros neste ponto a partir do século XVI, que aliás viu serem desprezadas quase todas as práticas de higiene que a Idade Média conhecia.   

 Se não se tomava banho todos os dias na Idade Média (poder-se-à afirmar que se trata de um hábito generalizado na nossa época?), pelo menos os banhos faziam parte da vida corrente. A banheira é uma peça do mobiliário. Não passa muitas vezes de uma simples tina, e o seu nome dolium, que significa também tonel, pode prestar-se a confusões. Gostava-se muito de ir, no Verão, folgar para os rios, na mais simples indumentária, pois a ideia de pudor de então era muito diferente da que temos hoje em dia, e tomava-se banho nu, tal como se dormia nu entre os lençóis.

Tudo isto está longe das ideias aceites acerca do asseio na Idade Média, e contudo, os documentos existem (o erro proveio de uma confusão com as épocas que se seguiram).

Com os grandes surtos epidémicos instala-se a convicção de que a água, por efeito da pressão e sobretudo do calor, abria os poros e tornava o corpo receptivo à entrada de todos os males. Desde o século XV que os médicos condenavam a utilização dos balneários públicos e das estufas. defendiam a teoria de que «depois do banho, a carne e o hábito do corpo amolecem e os poros abrem-se e, assim, o vapor empestado pode entrar prontamente no corpo e provocar a morte súbita». As normas de civilidade ca corte, a aprtir do século XVI preconizam que lavar é antes friccionar - a limpeza a seco: «As crianças limparão o rosto e os olhos com um pano branco, que desengordura e deixa a pele na sua constituição e tom natural. A água prejudica a vista, provoca dores de dentes e catarro».

Fontes:
"O Limpo e o Sujo", de Georges Vigarello.
"A Sociedade Medieval Portuguesa" de A.H. de Oliveira Marques.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Braveheart

Braveheart - Um dos filmes que mais me marcou, em todos os aspectos: realização, interpretação, adaptação histórica, fotografia e banda sonora.

Também foi o último filme que vi com o meu pai.
Até sempre, pai! Até sempre braveheart!