domingo, 22 de janeiro de 2012

Dachau - palco de tragédia

O cinismo nazista no portão: 'O trabalho liberta'

O cinismo nazista no portão: 'O trabalho liberta'
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Dachau, cidadezinha bucólica e palco de tragédia, a poucos quilómetros de Munique, é uma das cidades alemãs mais conhecidas no exterior. A sua fama decorre, contudo, da tragédia ali vivida por judeus e opositores ao regime nazista.

Menos de dois meses depois de assumir o governo, em janeiro de 1933, Hitler mandou construir o primeiro campo de concentração.
 O complexo de Dachau foi usado primeiramente para prender adversários políticos, mas a partir de 1935, testemunhas de Jeová, homossexuais e presos já condenados também passaram a ser enviados para o campo.

Três anos depois, prisioneiros judeus, principalmente do oeste e do sul da Alemanha, passaram a ser transportados para Dachau.
Segundo os livros de registo, 206.000 pessoas estiveram ali encarceradas durante o período da ditadura nazista.

Soldados americanos diante de um portão do campo de concentração de Dachau
Soldados americanos diante de um portão do campo de concentração de Dachau
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O campo de concentração de Dachau foi também o primeiro a ser libertado pelas tropas aliadas. Em 29 de abril de 1945, soldados americanos encontraram ali 32.000 sobreviventes, em condições inteiramente desumanas.

Memória das vítimas

Logo após a guerra, o campo começou a ser demolido mas decidiu-se, em seguida, que deveria ser preservado pelo menos parcialmente, sendo transformado num monumento em memória das vítimas do nazismo.
Hoje, o complexo é visitado por centenas de milhares de turistas todos os anos.

Entra-se no campo por uma passagem entre fossos e altos muros, com torres de vigia e arame farpado.
O roteiro da visita começa pelo museu, em cujo saguão um painel localiza os principais campos de concentração construídos pelos nazistas na Europa.
A quantidade surpreende.

Cerca de 32 mil pessoas sobreviveram às torturas de Dachau
Cerca de 32 mil pessoas sobreviveram às torturas de Dachau

Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: No edifício central, que originalmente abrigava cozinha, lavandaria, armazéns e sala de torturas, está hoje instalada uma exposição que conta a história do campo: os antecedentes da implantação do Terceiro Reich; a chegada de Hitler ao poder; a perseguição dos judeus; a construção do campo de Dachau; a admissão e classificação dos presos; a vida, os castigos e os trabalhos no campo de concentração.

Exposição

A exposição mostra as experiências médicas feitas no campo de Dachau e o transporte de inválidos para serem mortos nas câmaras de gás de outros campos. No final da mostra, podem ver-se imagens que documentam a libertação dos prisioneiros sobreviventes pelos soldados americanos.

O acervo é composto por jornais, panfletos, fotos, livros, documentos, cartas de prisioneiros, roupas e objetos diversos. Na sala de audiovisual, os visitantes podem assistir a um filme-documentário sobre o período nazista e os horrores no campo de concentração de Dachau.

A escultura 'Inferno', do artista Fritz Kölle, faz parte do acervo do memorial de Dachau
A escultura 'Inferno', do artista Fritz Kölle, faz parte do acervo do memorial de Dachau
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Do lado externo do edifício central está o monumento às vítimas do nazismo: não só judeus, mas também adversários políticos (principalmente comunistas), sacerdotes e outros inimigos do Estado nazista. A lista oficial indica que quase 32.000 pessoas morreram no campo, mas nela não estão incluídos 6.000 soldados soviéticos e centenas de presos fuzilados na véspera da chegada das tropas americanas.

O cinismo nazista

Do monumento pode-se caminhar até ao portão de grades, na única entrada original do campo. Nele permanece ainda hoje o cínico lema dos campos de concentração nazistas: "O trabalho liberta" (Arbeit macht frei).

Muitos presos eram cedidos como mão de obra gratuita para as indústrias da região ou para os serviços de limpeza de ruas em Dachau.

A maior parte do terreno do campo era ocupado por 30 alojamentos, duas enfermarias e uma cantina. Nenhum desses prédios foi preservado depois da guerra, mas dois deles foram reconstruídos posteriormente para mostrar aos visitantes as condições em que viviam os prisioneiros. A área dos demais está apenas demarcada e uma foto panorâmica mostra como era o campo originalmente.

As câmaras de gás
Muitos prisioneiros foram assassinados pouco antes da chegada das forças aliadas
Muitos prisioneiros foram assassinados pouco antes da chegada das forças aliadas

Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: Do outro lado do campo estão os memoriais católico, evangélico e israelita. À esquerda, chega-se aos crematórios, construídos em 1940 e 1942 para os prisioneiros mortos no campo de Dachau.

Ali também se pode visitar as câmaras de gás, disfarçadas de chuveiros coletivos, para o extermínio em massa. As câmaras de Dachau, contudo, nunca chegaram a ser usadas.

A cidade

Após a visita ao campo de concentração, recomenda-se um passeio pelo centro da cidadezinha de Dachau.
Localizada sobre um morro, nos dias de bom tempo tem-se de lá uma bela visão panorâmica dos Alpes bávaros.

No centro histórico da cidadezinha, a atração é o antigo palácio em estilo renascentista, construído no século XVI e que foi residência de duques e condes. No século XIX, as tropas de Napoleão Bonaparte causaram grandes danos ao palácio. Das quatro alas originais, restou apenas uma, onde se encontra o espaço mais interessante - o salão de festas -, com um teto em madeira esculpida.

No início do século XX, antes que a tragédia marcasse a cidade, Dachau acolheu uma importante colónia de pintores impressionistas, atraídos pela beleza da paisagem ao seu redor. Várias obras desse período podem ser apreciadas hoje em museus e galerias da Baviera.

Fonte: MW/am http://www.dw-world.de/ de 15.01.2011 (com ligeiras adaptações feitas por mim relativ. à construção frásica)

Para conhecerem melhor, fotos que selecionei deste campo, retiradas de fontes diversas da Internet:

Fornos crematórios
Trabalho forçado
Quando os Aliados chegaram e viram isto...
  

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