domingo, 23 de outubro de 2011

O "Grupo das 13"

(Mulheres da 1ª República)

Em 1906, Carolina Beatriz Ângelo (a primeira especialista em ginecologia e a primeira mulher a poder votar em Portugal), Adelaide Cabete (médica e professora), Domitila de Carvalho (a primeira mulher a entrar na porta férrea da Universidade de Coimbra, Emília Patacho e Maria do Carmo Lopes, aderiram ao Comité Português da La Paix et le Désarmement par les Femmes. É digno de registo este passo, sobretudo, porque permitiu com coragem e grande sacrifício, ainda em plena Monarquia, preparar uma luta que se avizinhava terrivelmente difícil mas perante a qual jamais abrandarão. Marcarão decisivamente a História do século XX português, particularmente, a história da militância política das Mulheres Portuguesas.
Para combater, sobretudo, a ignorância e a superstição, aparece o Grupo das Treze, em Maio de 1911, número simbólico com o qual as sócias da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas quiseram surpreender e, desde logo, quebrar uma primeira superstição.

Para elucidar a sociedade quanto aos seus propósitos tinham máximas, todas elas compostas por 13 palavras, como: ”O fanatismo é uma espécie de lepra que corrompe e devora o pensamento”. Ou ainda: “A sociedade ideal será aquela em que a mulher levante templos à ciência”. E também: “A ciência fortalece as almas, a superstição amortalha-as na treva da Morte”.

Foi com este espírito ousado, que surgiram, tentando despertar novas ideias nas assembleias que as ouviam: “Iluminar as almas, libertar as consciências, eis a verdadeira missão da mulher moderna”.
Criaram um distintivo: uma medalha com o número 13, com a qual apareceram na sessão solene de apresentação pública do Grupo, estando presentes Judite Pontes Rodrigues, Carolina Amado, Ernestina Pereira Santos, Lydia d’Oliveira, Maria Veleda, Antónia Silva, Adelina Marreiros, Honorata de Carvalho, Marianna Silva, Filipa d’Oliveira, Berta Vilar Coelho, Lenia Loyo Pequito, Carolina Rocha da Silva - esta última em substituição de Maria da Madre de Deus Diniz d’Almeida, que não pode comparecer na sessão inaugural.
Como “Grupo das Treze” não duraram muito: existiram apenas até Outubro de 1913, mas, como sócias da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas foram activistas dinâmicas, destacando-se, também, pelas iniciativas cívicas e políticas, Ana de Castro Osório. Lutaram com heroicidade e determinação pelo direito ao voto das mulheres, pela lei do divórcio (entre outras) e apoiaram a Obra Maternal, instituição criada no tempo da monarquia com o objectivo de proteger e educar as crianças sem família ou vítimas de maus tratos. Em 1913, reivindicaram no Senado e na Câmara de Deputados a revogação da lei que permitia o direito de fiança a violadores de menores.
Nunca poderemos esquecer, também, Carolina Michaëlis de Vasconcelos, que no início de 1911 se tornou a primeira professora universitária; Alice Pestana, grande defensora da educação feminina e da criança; Guiomar Torrezão, a operária das letras que fez dos jornais e das suas obras publicadas em livro as armas da sua luta; Regina Quintanilha, a primeira mulher a vestir uma toga, formando-se em Direito; Angelina Vidal, que deu a sua voz pelos mais desfavorecidos; Maria Rapaz, que se fez passar por homem para conseguir melhores condições de vida; Irene Lisboa, Áurea Judite do Amaral, e tantas e tantas operárias, burguesas, mulheres anónimas, no campo e na cidade, em casa ou na rua, que foram e continuam a ser lutadoras pela igualdade efectiva de género e por uma vida com dignidade e justiça para todos.
De registar, igualmente, organizações de mulheres que se dedicavam ao apoio a vítimas da Guerra – 1ª Guerra Mundial -caso das Damas Enfermeiras da Cruz Vermelha Portuguesa, que incluía algumas mulheres de políticos, como a presidente Alzira Dantas Machado, mulher de Bernardino Machado, das mulheres de Afonso Costa, António José de Almeida, Norton de Matos e outras. Além de promoverem a assistência e a educação das mulheres dos soldados que lutavam na Guerra, fundaram escolas profissionais e lutaram pela igualdade de direitos entre homem e mulher.
Com o final da I República e o advento do Estado Novo, as mulheres remeteram-se para a esfera doméstica. Mas a luta não parara. Nem parou!
Como referira Adelaide Cabete, em 1924, é preciso defender todas as mulheres que sofrem e fazer a reforma de leis iníquas e desumanas que as mantêm num estado de inferioridade humilhante e revoltante.

Bibliografia consultada:
DICIONÁRIO NO FEMININO – SÉCULOS XIX E XX”, ZÍLIA DE CASTRO OSÓRIO E JOÃO ESTEVES (DIR.)
CONSELHO NACIONAL DAS MULHERES PORTUGUESAS, A 4 DE MAIO DE 1924.
JORNAL DO CENTENÁRIO DA REPÚBLICA  

A 1ª República Portuguesa

             5 de Outubro de 1910 - Derrube da Monarquia e Implantação da República em Portugal.
                         

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

domingo, 16 de outubro de 2011

Escravos e plantações de açúcar

Registos de leituras que fiz sobre este tema: 

cana-de-açúcar




 Escravatura e plantações de açúcar
(…) são inseparáveis. Cada engenho de açúcar exigia no mínimo 80 escravos, além das centenas que tinham de trabalhar nos campos. A região por excelência foi sem dúvida o Nordeste brasileiro, que designa os estados de Piaui, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Baía. (…) onde viviam em condições miseráveis e eram cerca de 1/3 da população brasileira (…). A importação maciça de africanos foi de tal modo brutal que chegavam aos milhares como gado (…).

Os navios de escravos
O armador encomendava embarcações que apresentassem duas características contraditórias: uma quilha bastante ampla, onde se pudessem acumular o máximo de víveres e negros e a capacidade desenvolver boa velocidade. (…) eram embarcações pequenas, de 100 a 300 toneladas em média. A duração da viagem dependia dos ventos e das transacções que se realizavam na costa africana. Uma viagem triangular de 16 meses de duração representava uma boa média. (…)

Teresa Mesquitela, A escravatura no Brasil e a sua abolição.

Um navio de escravos era um espectáculo asqueroso e lancinante. Amontoada no porão, quando o navio jogava batido pelo temporal, a massa de corpos negros agitava-se como um formigueiro de homens, para beber avidamente um pouco desse ar lúgubre que se escoava ela escotilha gradada de ferro.  Havia lá no seio do navio balouçado pelo mar, lutas ferozes, gritos, uivos de cólera e desespero.
Os que a sorte favorecia nesse ondear de carne viva e negra, aferravam-se à luz e olhavam a estreita nesga do céu. Na obscuridade do antro, os infelizes promiscuamente arrumados a monte, ou caíam inânimes num torpor letal ou mordiam-se desesperados e cheios de fúrias, estrangulavam-se, a um saíam-lhe as entranhas, a outro quebravam-se-lhe os membros no choque dessas obscuras batalhas, e a massa humana, cujo rumor selvagem saía pela escotilha aberta, revolvia-se no seu antro, afogada em lágrimas e imundície.
(…) Como o afogamento dependia do acordo do companheiro, pois encontravam-se amarrados nas pernas (os ferros não eram tirados nunca), o mais frequente era a tentativa de greve de fome. Tentativa, porque o suicida acabava sempre por ser forçado a abrir a boca e a comer: o capitão mandava que um dos homens da sua tripulação se aproximasse do rosto do rebelde com um carvão em brasa ou um ferro quente, e ele era obrigado a ingerir o alimento que tinha recusado.

Oliveira Martins, O Brasil e as colónias portuguesas.
Como se contavam os escravos
De tal modo se comercializou esta indústria assassina – eram quase tantos os negros mortos no trânsito como os desembarcados – que se fazia a conta da gente viva não por número de pessoas mas por medida linear e volume em toneladas, como qualquer fazenda inerte. A unidade era a “peça da Índia”, de 7 quartas (de vara) 1,75m, estatura regular do negro adulto. Três peças faziam uma tonelada, supondo-se ocuparem a bordo outro tanto espaço de carga ordinária. Para a conta mediam-se os negros, somando as alturas e dividindo o total pela craveira, 5,25m, e tinham-se as toneladas.

Lúcio de Azevedo, Época de Portugal Económico.
“As peças”
Os escravos eram designados por peças. Entendia-se por peça o escravo de 15 a 25 anos, cuja altura ideal era de 1,8om. Um negro de 8 a 15 anos (molecão) ou de 25 a 35 anos não fazia uma peça inteira: eram necessários três para fazerem duas peças. As crianças de menos de 8 anos (moleques) e os adultos de 35 a 40 anos, contavam-se por meia peça.

Carlos de Sousa Miguel, art. “escravatura”, Dicionário de História de Portugal.

Como se transportavam
É lamentável ver como se amontoavam esses pobres diabos, metendo 600 a 700 escravos em cada barco. Os homens de pé, nos porões, atados, as mulheres  nas entrepontes e, as que levavam crianças na câmara grande.
Os negros viajavam 2 a 2. A cadeia da perna esquerda ligada à da perna direita do outro, e estendidos nus no porão.
A altura deste não passava de 1,70m, ás vezes menos. Para aumentar o espaço, dividia-se essa altura ao meio, colocando em toda a volta uma espécie de plataforma suficientemente forte para suportar o peso de numerosos corpos.
(…) cada escravo dispunha de 83cm de altura.

J.D.Page, A Short History of Africa.

(…) chegados ao seu destino, eram vendidos em leilão. Os casados eram a maior parte  das vezes separados para sempre das suas mulheres ou dos    seus filhos. A partir desse momento viam iniciar-se verdadeiramente o seu cativeiro. (…)

Oliveira Martins, obra citada.

Como se castigavam
Era necessária uma vigilância constante para conter aquelas criaturas desesperadas e nem sempre dóceis. A menor falta era punida com algemas e açoites. Nos casos mais graves recorria-se à tortura: esfregava-se limão e pimenta sobre as feridas sangrentas deixadas pelo chicote, apertavam-se os polegares entre os dedos, suspendiam-se os rebeldes pelas mãos e deixavam-se pendurados algum tempo no mastro ou sobre a água. Alguns infelizes enlouqueciam, mas eram conservados vivos para serem vendidos nalgum momento de lucidez. Outros, ou mesmo os loucos, tentavam o suicídio.

Teresa Mesquitela, obra citada.

O dia de trabalho nos engenhos
Começava ás 5 da manhã e terminava ás 7 da noite, com uma interrupção de cerca de duas horas por volta do meio dia para o almoço. Durante a colheita o trabalho era ininterrupto.
Nus ou cobertos de farrapos, manejando a foice ou enxada,  era necessário que o ritmo de trabalho fosse acelerado e constante, para não correr o risco da chibata. Nos engenhos de açúcar, os negros empurravam a  cana para a moenda, temendo a todo o instante terem as mãos esmagadas , sobretudo à noite, quando o cansaço os obrigava a cantar para não adormecerem e  não caírem num tacho fervente.

O “código negro”
Determinava que o senhor fornecesse semanalmente a cada escravo 2,5 litros de farinha de mandioca, 2 libras carne salgada ou 3 de peixe. Na realidade, porém, os senhores limitavam-se a permitir que aos sábados os negros cultivassem um pedaço de terra e se alimentassem com o que colhessem. Como não dispunham de tempo para cozinhar, esgotados ou improvidentes, não chegavam a plantar o suficiente. Era frequente o roubo de alimentos durante a noite. (…)

A Alimentação dos escravos e suas consequências
Os senhores davam aos escravos feijão cozido com angú, um bocado de toucinho, jerimumou ou abóbora cozida, esta comida rala a homens que tinham de levantar-se ás 3 da madrugada para trabalharem até ás 9 ou 10 horas da noite. (…) Verdadeiras máquinas de fazer dinheiro.

(…) os defeitos apresentados pelos negros – as pernas tortas, os braços finos, os joelhos tronchos, as cabeças encalombadas – manifestações de raquitismo, consequência da sua alimentação. (…).

Gilberto Freyre, Casa-Grande e Senzala.


(…) com as reservas de vitaminas totalmente gastas. As perturbações mostradas pelos escravos eram consequência da falta de sol e da sua alimentação insuficiente. E continuavam a receber uma dieta carente do factor D. Este, encontra-se nas gorduras de origem animal: manteiga, ovos, óleos de peixe, leite…todas estas substâncias não existiam na dieta dos escravos que também não continha cálcio.

Rui Coutinho, Estudos afro-brasileiros.

As crianças negras andavam totalmente nuas até aos 5 anos, e isso contribuía para a disseminação de doenças como a desinteria, varíola, chagas, lepra, sífilis e tétano. Muitas morriam cedo devido a esta falta de higiene.

A vida do senhor do engenho
Ociosa mas alagada de preocupações sexuais, a vida do senhor do engenho tornou-se uma vida de rede. Rede andando, com o senhor em viagem ou a passeio por baixo de tapetes ou cortinas. Rede rangendo, com o senhor descansando, dormindo, cochilando ou copulando dentro dela . Da rede não precisava afastar-se o escravocrata para dar as suas ordens aos negros, mandar escrever as suas cartas pelo caixeiro ou pelo capelão. Da rede não precisava sair para jogar gamão com algum compadre que aparecesse (…). Depois do almoço ou do jantar, era na rede que fazia a longa digestão, palitando os dentes, fumando charutos, cuspindo no chão, deixando-se abanar pelas mulatas. (…)

Gilberto Freyre, Casa-Grande e Senzala.

A mulher do senhor do engenho
Refreada pelas rígidas leis da sociedade patriarcal, sufocada por uma vida aborrecida e ociosa, a mulher do senhor prepara-se para o encontro com o marido, geralmente mais velho, sexualmente viciado por uma longa relação solitária. A consequência normal é um desequilíbrio nervoso que se traduz num sadismo exercido pelo homem sobre a mulher, pelo patrão sobre os servos, pela senhora sobre as criadas, pelo miúdo branco sobre o moleque.
(…) Uma sociedade onde abundam os bastardos que se inserem normalmente na vida e onde os filhos de padres são uma realidade quotidiana.

Gilberto Freyre, Sobrados e Mucambos.

O filho do senhor do engenho
Imitando os adultos, o miúdo serve-se dos seus companheiros de jogos, negros, nos primeiros exercícios sexuais (…) a sua aprendizagem culmina numa prostituta negra, quase sempre portadora de doenças venéreas.
Tudo isto se desenrola sob os olhos benévolos dos adultos que vêem em tudo isto uma afirmação de maturidade.

Giorgio Marotti, Profillo Sociológico della Letteratura Brasiliana.

O negro na família do seu senhor
É desde o início que o negro está presente na vida da família patriarcal nordestina: é dado aos filhos dos senhores como companheiro de jogos um miúdo negro, o “moleque leva pancadas” que será a sua vítima e que o iniciará na sua vida sexual. E quando o amo for adulto, serão outras negras que lhe darão a sua primeira sensação de homem.
À filha do patrão, pelo contrário, é dada uma mucama, criada, amiga, confidente e vítima, que partilhará os seus segredos e a ajudará nas suas intrigas amorosas ocasionadas pela severidade do pai, dos seus irmãos ou do seu marido. E, enquanto a ama preta amamenta o bebé branco, a cozinheira negra prepara um prato africano, os filhos do patrão vivem conjuntamente com os criados negros, nos campos, a força e a resistência do negro tornar-se-ão indispensáveis para a cultura da terra.
E o negro identificar-se-á, ora com o açúcar ora com o café ora com o cacau, os grandes produtos da monocultura latifundiária brasileira.
(…) a presença negra não se limitou apenas ao trabalho agrícola e ás actividades eróticas do senhor. As cozinheiras e a sua maneira de preparar a comida com fortes e acentuadas maneiras africanas, as criadas, as amas, as companheiras das meninas e as primeiras amantes dos filhos dos senhores, eram negras. Pouco a pouco, um estilo de vida negra ia-se introduzindo na vida branca: era a ama que contava à criança as fábulas africanas, era a primeira amante, a companheira de cama apaixonada e impúdica. E o homem branco, uma vez adulto, acabava por ter, muitas vezes sem o saber, uma forte percentagem negra na sua educação.

Teresa Mesquitela, obra citada.

sábado, 8 de outubro de 2011

Os anos 20



Após a 1ª Guerra Mundial, assistiu-se no mundo ocidental a um período de prosperidade e de grandes transformações sociais e culturais.

Na nova Sociedade urbana e industrial, as classes médias adquiriram um peso crescente e verificou-se uma diminuição das desigualdades sociais.

Passada a guerra vive-se uma época de euforia. Surgem alterações no código social e moral, na moda, nas artes, nas ciências, nos costumes e tradições.
A rádio, a imprensa, a industria discográfica e o cinema contribuíram para o aparecimento de uma cultura de massas (acessível à maioria da população).

1. Peso crescente das classes médias

No período entre 1920-30 verificaram-se grandes transformações nas sociedades do mundo ocidental.
Para essas transformações, contribuíram, sobretudo:
  • as transformações económicas decorrentes da 1ª Guerra Mundial;
  • a crescente igualdade de direitos entre homens e mulheres;
  • a extensão do direito de voto a todos os cidadãos, incluindo as mulheres;
  • a democratização do ensino com a frequência da escolaridade básica para um número cada vez maior de pessoas;
  • o crescimento do sector terciário.
Como consequência deste conjunto de mudanças as desigualdades sociais diminuíram o que contribuiu para o crescimento das classes médias. Estas eram constituídas pela média burguesia (comerciantes e industriais) e por profissionais liberais (médicos, juristas, professores…).
As classes médias ganham cada vez mais um peso decisivo, ao nível económico, como também nos aspectos sociais e culturais. Criaram um novo código social e moral, novos modelos, novas modas, e novos mitos que marcaram o sec. XX.

2. Alterações no código social e moral

Na década de 1920 “Loucos Anos 20” verificaram-se alterações nos comportamentos sociais e nos valores morais, sendo o vestuário, a moda e as formas de lazer, os aspectos mais visíveis dessas alterações.
A moda passou a ser mais determinada por considerações de ordem prática, abandonando o aspecto formal e sóbrio anterior.
A par da moda, também os movimentos de luta das mulheres pela igualdade de direitos em relação aos homens, contribuíram para uma nova imagem da mulher na sociedade.


 A defesa da igualdade e o desejo de afirmação das mulheres era visível nas transformações da moda. Roupas mais práticas, as saias subiram até ao joelho e os cabelos eram curtos.
As mulheres passaram a trabalhar fora de casa e a frequentar locais públicos.

  3. Cultura de massas

A difusão dos meios de comunicação social, facilitou o acesso à diversas formas de cultura por um número cada vez maior de pessoas. Para tal contribuiu o aumento dos tempos livres devido à redução do horário de trabalho e o desenvolvimento das tecnologias, criando o fenómeno da cultura de massas.
A imprensa, a rádio, o cinema e a música, foram os principais meios que possibilitaram o desenvolvimento da cultura de massas.
Também o desporto deixou de estar reservado às elites e popularizou-se através de modalidades propícias ao espectáculo de massas, caso do futebol.


sexta-feira, 7 de outubro de 2011

A CIDADANIA e a sua história

A cidadania na Antiguidade
A palavra cidadania foi usada na Roma antiga para indicar a situação política de uma pessoa e os direitos que essa pessoa tinha ou podia exercer. A sociedade romana fazia discriminações e separava as pessoas por classes sociais. Havia, em primeiro lugar, os romanos e os estrangeiros, mas os romanos não eram considerados todos iguais, existindo várias categorias. Em relação à liberdade das pessoas era feita a diferenciação entre livres e escravos, mas entre os que eram livres também havia igualdade, fazendo-se distinção entre os patrícios – membros das famílias mais importantes que tinham participado da fundação de Roma e por isso considerados nobres – e os plebeus – pessoas comuns que não tinham o direito de ocupar todos os cargos políticos. Com o tempo foram sendo criadas categorias intermediárias, para que alguns plebeus recebessem um título que os colocava mais próximos dos patrícios e lhes permitia ter acesso aos cargos mais importantes.
Quanto à possibilidade de participar das atividades políticas e administrativas havia uma distinção importante entre os próprios romanos. Os romanos livres tinham cidadania: eram, portanto, cidadãos, mas nem todos podiam ocupar os cargos políticos, como ode senador ou de magistrado, nem os mais altos cargos administrativos. Fazia-se uma distinção entre cidadania e cidadania ativa. Só os cidadãos ativos tinham o direito de participar das atividades políticas e de ocupar os mais altos postos da Administração Pública. Uma particularidade que deve ser ressantada é que as mulheres não tinham a cidadania ativa e por esse motivo nunca houve mulheres na Senado nem nas magistraturas romanas.

As Revoluções Burguesas e Cidadania
Nos séculos XVII e XVIII, quando na Europa já estavam a começar os tempos modernos, havia também a divisão da sociedade em classes, lembrando muito a antiga divisão romana. Os nobres gozavam de muitos privilégios, eram proprietários de grandes extensões de terras, não pagavam impostos e ocupavam os cargos políticos mais importantes. Ao lado deles existiam as pessoas chamadas comuns, mas entre estas havia grande diferença entre os que eram ricos, que compunham a burguesia, e os outros que, por não terem riqueza, viviam do seu trabalho, no campo ou na cidade. Nessa fase da história da humanidade vamos encontrar os reis que governam sem nenhuma limitação, com poderes absolutos, e por isso o período é conhecido como o do absolutismo.
Houve um momento em que os burgueses e os trabalhadores já não suportavam as arbitrariedades e as injustiças praticadas pelos reis absolutistas e pela nobreza e por esse motivo, unindo-se todos contra os nobres, fizeram uma série de revoluções, conhecidas como revoluções burguesas. Desse modo foi feita a revolução na Inglaterra, nos anos 1688 e 1689, quando o rei perdeu todos os seus poderes e os burgueses passaram a dominar o Parlamento, passando os nobres, que eram chamados lordes, para segundo plano. Nessa época a Inglaterra tinha 13 colónias na América do Norte. Influenciadas pelo que acontecia na Inglaterra, as pessoas mais ricas dessas colónias, incluindo os proprietários de terras e os grandes comerciantes, promoveram uma revolução no século seguinte. Desse modo proclamaram a independência das colónias, em 1776. Alguns anos mais tarde, em 1787, resolveram unir-se e criaram um novo Estado, que recebeu o nome de Estados Unidos da América.
Dois anos depois, em 1789, ocorreu na França um movimento revolucionário semelhante, que passou para a história com o nome de Revolução Francesa. Esse movimento foi muito importante porque influiu para que grande parte do mundo adotasse o novo modelo de sociedade, criado em consequência da Revolução. Foi nesse momento e nesse ambiente que nasceu a moderna concepção de cidadania, que surgiu para afirmar a eliminação de privilégios mas que, pouco depois, foi utilizada exatamente para garantir a superioridade de novos privilegiados.
No dia 14 de julho de 1789 o povo invadiu a prisão da Bastilha, na cidade de Paris, onde se achavam presos os acusados de serem inimigos do regime político absolutista. Esse fato marcou o início de uma série de modificações importantes na organização social da França e no seu sistema de governo, estando entre essas modificações a eliminação dos privilégios da nobreza. Por esse motivo a tomada da Bastilha passou a ser comemorada como o dia da Revolução Francesa, mas a revolução se caracteriza por um conjunto de fatos que tem início bem antes daquela data.
Uma das inovações importantes, ocorrida algumas décadas antes, foi justamente o uso das palavras cidadão e cidadã, para simbolizar a igualdade de todos. Vários escritores políticos vinham defendendo a ideia de que todos os seres vivos nascem livres e são iguais, devendo ter os mesmos direitos. Isso foi defendido pelos burgueses, que desejavam Ter o direito de participar do governo, para não ficarem mais sujeitos a regras que só convinham ao rei e aos nobres. O povo que trabalhava, que vivia de salários e que dependia dos mais ricos também queria reconhecimento da igualdade, achando que se todos fossem iguais as pessoas mais humildes também poderiam participar do governo e desse modo as leis seriam mais justas.
Cabe lembrar que as mulheres tiveram importante participação nos movimentos políticos e sociais da Revolução Francesa. Quando se falava no direito da cidadania a intenção era dizer que todos deveriam Ter os mesmo direito de participar do governo, não havendo mais diferença entre nobres e não-nobres nem entre ricos e pobres ou entre homens e mulheres.

Injustiça Legalizada: Discriminação pela Cidadania
No ano de 1791 os líderes da Revolução Francesa, reunidos numa assembleia, aprovaram a primeira Constituição francesa e aí já estabeleceram regras que deformavam completamente a ideia de cidadania. Recuperando a antiga diferenciação romana entre cidadania e cidadania ativa, os membros da assembleia e os legisladores que vieram depois estabeleceram que para ter participação na vida política, votando e recebendo mandato e ocupando cargos elevados na administração pública, não bastava ser cidadão. E dispuseram que pata ter a cidadania ativa eram necessários certos requisitos que logo mais serão especificados, não bastando ser pessoa.
A partir daí a cidadania continuou a indicar o conjunto de pessoas com direito de participação política, falando-se nos “direitos da cidadania” para indicar os direitos que permitem participar do governo ou influir sobre ele, o direito de votar e ser votado, bem como o direito de ocupar os cargos públicos considerados mais importantes. Mas a cidadania deixou de ser um símbolo de igualdade de todos e a derrubada dos privilégios da nobreza deu lugar ao aparecimento de uma nova classe de privilegiados.
A Constituição francesa de 1791, feita pouco depois da Declaração de Direitos de 1789, manteve a monarquia, o que já significava um privilégio para uma família. Além disso, contrariando a afirmação de igualdade de todos, estabeleceu que somente os cidadãos ativos poderiam ser eleitos para a Assembleia Nacional. Ficou sendo também um privilégio dos cidadãos ativos o direito de votar para escolher os membros da Assembleia. E para ser cidadão ativo era preciso ser francês, do sexo masculino, ser proprietário de bens imóveis e ter um renda mínima anual elevada.
As mulheres, os trabalhadores, as camadas mais pobres da sociedade, todos esses grupos sociais foram excluídos da cidadania ativa e tiveram que iniciar uma nova luta, desde o começo do século XIX, para obterem os direitos da cidadania. Foram, até agora, duzentos anos de lutas, que já proporcionaram muitas vitórias, mas ainda falta caminhar bastante para que a cidadania seja, realmente, expressão dos direitos de todos e não privilégio dos setores mais favorecidos da sociedade.

Dalmo Dallari

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

2ª Guerra Mundial - armas

A Segunda Guerra Mundial, iniciada a 1 de Setembro de 1939, foi a maior catástrofe provocada pelo homem em toda a sua longa História.
Envolveu 72 nações e foi travada em todos os continentes (direta ou indiretamente). O número de mortos superou os 50  milhões havendo ainda uns 28 milhões de mutilados.

É difícil de calcular quantos outros milhões saíram do conflito vivos, mas completamente inutilizados devido aos traumatismos psíquicos a que foram submetidos (bombardeamentos aéreos, torturas, fome e medo permanente).
Outra das suas características, talvez a mais brutal, foi a supressão da diferença entre aqueles que combatem na frente   e a população civil na retaguarda. Foi a guerra total.

Atacar a retaguarda do inimigo, as suas cidades, as suas indústrias, as suas mulheres, crianças e velhos, passou a fazer parte daquilo que os estrategas eufemisticamente classificavam como "guerra psicológica" ou "guerra de desgaste".

Naturalmente que a evolução da aviação e das armas autopropulsadas permitiu-lhes que a antiga separação entre linha da frente e retaguarda fosse suprimida.

Se a Primeira Guerra Mundial provocou um custo de 208 bilhões de dólares, esta,  atingiu a impressionante cifra de 1 trilhão e 500 bilhões de dólares, quantia que, se investida no combate da miséria humana a teria suprimido da face da terra.

Aproximadamente 110 milhões de homens e mulheres foram mobilizados, dos quais apenas 30% sobreviveram.

Como em nenhuma outra, o engenho humano foi mobilizado integralmente para criar instrumentos cada vez mais mortíferos, sendo empregados a bomba de fósforo, a napalm e a "bomba política" do genocídio em massa, construindo-se campos especiais para tal fim.

Com disse o historiador R.A.C. Parker, "O conceito que a Humanidade tinha de si mesma nunca voltará a ser o mesmo".





ver mais em:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Categoria:Armas_da_Segunda_Guerra_Mundial
http://armasdasegundaguerramundial.blogspot.com/

O desembarque na Normandia - DIA D




As Religiões do/no Mundo

Muito interessante!
Conhecer, estudar, para melhor compreendermos o que se passa à nossa volta. Sem isso, dificilmente construiremos a tão desejada harmonia entre os povos e o respeito que TODOS nos merecem.   


- As Religiões no Mundo:


- As Religiões do Mundo:  

1 - Cristianismo: O cristianismo é a maior religião do mundo, com mais de 2,1 bilhões de seguidores e mais de 33 mil seitas. Um terço dos seres humanos pertence a alguma das seis grandes tradições cristãs.
1.1 - Tradições cristãs – % total de cristãos – 2006
  • Católicos – 49,5 %
  • Independentes – 19 %
  • Protestantes – 16,7 %
  • Ortodoxos – 16,7 %
  • Anglicanos – 3,6 %
  • Cristãos marginais – 1,5 %
1.2 – Catolicismo: A Igreja Católica é a maior das denominações cristãs, com mais de 1 bilhão.




1.3 - Independentes:
Uma das tendências que despontam no cristianismo é a expensão dos movimentos independentes. Sempre houve a histórica tradição de membros de uma Igreja a deixarem-na por causa de divergências sobre autoridade, estrutura ou modo de vida, e a formarem outros grupos cristãos. Com o tempo, muitos desses se tornaram correntes dominantes, caso do luteranismo ou do metodismo, por exemplo. Os “independentes” de hoje seguem aquela tradição na busca de uma autoridade e de um estilo de vida adequados às crenças e, muitas vezes, à sua identidade cultural e étnica. Algumas seitas na periferia do cristianismo organizado mais convencional são chamadas de “cristãos marginais”.
Contingente dos maiores movimentos independentes – 2006. Cerca de 19% de todos os cristãos são filiados em igrejas independentes – grupos que desenvolveram vida eclesiástica independente do cristianismo histórico organizado. Esse contingente passou de 348 milhões de fiéis em 1995 para quase 443 milhões em 2006.
  • Carismáticos das igrejas domésticas cristãs – 35,8 milhões
  • Batistas independentes – 27, 5 milhões
  • Pentecostais africanos independentes – 18,9 milhões
  • Carismáticos brancos – 17,5 milhões
  • Pentecostais brasileiros e portugueses – 15,9 milhões
  • Apostólicos africanos independentes – 13,5 milhões
  • Hindus que crêem em Jesus – 10,6 milhões
  • Africanos sionistas independentes – 10,1 milhões
2 - Islamismo: Há 1,34 bilhão de muçulmanos, ou 20% da população mundial. O islamismo é a religião oficial de 25 países.
3 – Hinduísmo: O hinduísmo é a terceira maior religião do mundo, com mais de 950 milhões de seguidores. Quase todos vivem na Ásia meridional, a maioria deles na Índia, onde são mais de 80% da população.
4 – Budismo: Mais de metade da população mundial vive em países nos quais o budismo é ou já foi dominante. Durante o século 20, o budismo foi mais reprimido do que em qualquer outra época. Os budistas constituem quase 6% da população mundial.
5 – Judaísmo: Há mais de 13 milhões de judeus no mundo, e mais de 5 milhões deles vivem em Israel.
5.1 – Onde estão os judeus:
Participação dos países (%) na população judaica mundial – 2005
  • EUA – 40,5 %
  • Israel – 40,2 %
  • Outros – 5,1 %
  • França – 3,8 %
  • Canadá 2,9 %
  • Reino Unido – 2,3 %
  • Rússia – 1,8 %
  • Argentina – 1,4 %
6 – Siquismo: São 24 milhões de siques no mundo. Mais de 90% vivem na Índia, sobretudo no Punjab.
7 – Crenças Tradicionais: No mundo, há mais de 250 milhões de seguidores das chamadas crenças tradicionais. Existem também muitos que são membros de uma das grandes religiões e, ao mesmo tempo, continuam a manter crenças tradicionais locais.
8 – Novos Movimentos Religiosos: Novos movimentos religiosos são grupos religiosos ou espirituais não oficialmente reconhecidos como seitas nem Igrejas estabelecidas, mas a definição que se deve a dar a eles é dos temas mais controversos no campo dos estudos religiosos.
9 – Novos Começos: à medida que as religiões nativas se disseminaram, elas se fundiram com tradições encontradas pelo caminho. Outras tradições reviveram, criando novas identidades ou fortalecendo antigas.
10 – Indecisos e Descrentes: Mais de 10 % dos seres humanos dizem não seguir nenhuma religião. Muitos estão indecisos, mas alguns são ateus, que negam a existência de Deus.

Informações extraídas de:
O´BRIEN, Joanne e PALMER, Martin. O atlas das religiões. O mapeamento completo de todas as crenças. São Paulo: PubliFolha, 2008

domingo, 2 de outubro de 2011

O Tratado de Versalhes

Os Tratados são importantes mas, mais importante do que os tratados é o RESPEITO pelas decisões tomadas.


Assinado em 28 de junho de 1919, o Tratado de Versalhes foi um acordo de paz assinado pelos países europeus, após o final da Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Neste Tratado, a Alemanha assumiu a responsabilidade pelo conflito mundial, comprometendo-se a cumprir uma série de exigências políticas, económicas e militares. Estas exigências foram impostas à Alemanha pelas nações vencedoras da Primeira Guerra, principalmente Inglaterra e França.



Em 10 de janeiro de 1920, a recém criada Liga das Nações (futura ONU) ratificou o Tratado de Versalhes.
O Tratado de Versalhes, finda a 1ª guerra mundial, foi decisivo para reorganizar o mundo no fim deste conflito terrível mas, como alguém disse na altura, vai ser semente de violência. De facto, a Alemanha, contra tudo e contra todos, desrespeita o acordado e, em 1939, desencadeia outra guerra mundial.

Algumas exigências impostas à Alemanha pelo Tratado de Versalhes:
- reconhecimento da independência da
Áustria;
- devolução dos territórios da Alsácia-Lorena à França;
- devolução à Polónia das províncias de Posen e Prússia Ocidental;
- as cidades alemãs de Malmedy e Eupen passariam para o controle da Bélgica;
- a província do Sarre passaria para o controle da Liga das Nações por 15 anos;
- a região da Sonderjutlândia deveria ser devolvida à
Dinamarca;
- pagamento aos países vencedores, principalmente França e Inglaterra, de uma indemnização pelos prejuízos causados durante a guerra. Este valor foi estabelecido em 269 bilhões de marcos;
- proibição de funcionamento da aeronáutica alemã (Luftwaffe);
- a Alemanha deveria reduzir o seu exército para, no máximo, cem mil soldados;
- proibição do fabrico de tanques e armamento pesado;
- redução da marinha alemã para 15 mil marinheiros, seis navios de guerra e seis cruzadores;

Consequências da Primeira Guerra Mundial


As consequências imediatas da Primeira Guerra Mundial foram evidentemente as baixas humanas. O conflito fez mais de 8 milhões de mortos (1,9 milhões na Alemanha, 1,7 milhões na Rússia, 1,4 milhões na França, 1 milhão na Áustria-Hungria e 760 mil na Inglaterra), 20 milhões de feridos e 6 milhões de inválidos. Traduziu-se igualmente em grandes perdas económicas e em enormes gastos com o esforço de guerra, lançando muitos Estados em sérias crises. A Europa passou por um período de dependência económica e também de instabilidade política, perdendo a sua posição de hegemonia que ocupava no panorama mundial.
Em termos económicos, a Europa ficou completamente desorganizada, com graves problemas no setor agrícola e industrial. Os grandes beneficiários desta situação foram os EUA e o Japão. No caso do Japão, o país pôde beneficiar do afastamento dos tradicionais concorrentes europeus, o que permitiu o estímulo e a diversificação da sua indústria. Os EUA lucraram também, pois viram as suas reservas de ouro duplicar, ficando nas suas mãos cerca de metade do ouro disponível a nível mundial. Este poderio económico vai permitir ao país substituir a pouco e pouco a preponderância financeira dos europeus, em particular na América do Sul. Segundo o tratado de Versalhes (28 de junho de 1919), a Alemanha era considerada a grande responsável pela guerra, tendo que pagar 22 milhões de marcos/ouro como reparação dos danos às populações civis. Este dinheiro foi repartido na sua maior fatia pela França (52%) e pela Grã-Bretanha (22%).
Mas mais significativa que os reveses económicos foi a reconstrução política da Europa, "plasmada" em vários tratados de paz assinados após a Guerra, reunidos sob o nome de Tratados de Versalhes, cuja ineficácia ficaria provada em menos de duas décadas. As negociações de paz reuniram 32 Estados, entre vencedores e vencidos, orientados sob os princípios idealistas do presidente americano Woodrow Wilson (1913-1921). Daqui resultaram problemas políticos que seriam posteriormente o rastilho para uma guerra ainda mais letal do que a que findava. Os problemas-chave latentes eram o direito de nacionalidade das minorias assimiladas pelos Impérios Austríaco, Russo e Otomano; a repartição dos territórios coloniais, não europeus; a vexação sofrida pela Alemanha (desmilitarizada, perdendo territórios e pagando indemnizações pesadas); e o fracasso da Sociedade das Nações (SDN), incapaz de fazer respeitar os acordos e manter a paz.
O mapa geopolítico da Europa foi então redefinido sobre os escombros da guerra. A Alemanha foi forçada a evacuar a Alsácia-Lorena, pertencente à França, e a margem esquerda do Reno (Renânia). A região do Sarre ficará sob o controlo da SDN, reservando ao território o direito de optar em relação ao país que desejasse integrar (a França ou a Alemanha). A Posnânia (na Polónia) e uma parte da Prússia (território alemão no báltico oriental) são dadas à Polónia, ainda que o acesso ao Báltico fosse assegurado por um "corredor" de 80 km, separando-se a Alemanha da Prússia oriental. O território do Norte de Schleswig foi também anexado à Dinamarca, após plebiscito entre a população (1920).
A Europa central e balcânica foi totalmente reorganizada a partir do desmembramento do Império Austro-Húngaro. A Hungria viu-se, todavia, amputada de parte do seu território pelo tratado de Saint-Germain-en-Laye (10 de setembro de 1919), perdendo ainda outras regiões através do disposto no tratado de Trianon (4 de junho de 1920). Segundo o tratado de Neuilly (novembro de 1919), a Bulgária foi forçada a ceder a Trácia à Grécia e a Macedónia à Sérvia. A Turquia teve também que abandonar as suas possessões árabes e a Terra Santa, o que correspondia a quatro quintos do seu império (tratado de Sèvres, 10 de agosto de 1920). Relativamente à Polónia, o tratado de Versalhes pouco precisou no que diz respeito à sua fronteira oriental com a Rússia. O desmembramento do Império dos Habsburgos (Áustria-Hungria) vai beneficiar a então recente república checoslovaca, a Roménia e a Sérvia, cujo Estado ficava com a posse da Eslovénia, a Croácia (com a Dalmácia).
Aos impérios históricos, formados sob o princípio da legitimidade, sucediam-se os novos países criados sob o princípio da nacionalidade, face à eclosão de diversos movimentos nacionalistas. Húngaros, polacos, checos e eslovacos e povos da ex-Jugoslávia proclamam a sua autonomia logo em 1918 no fim da guerra, enquanto se ouvem também os protestos de albaneses, arménios e gregos orientais (da Turquia). Ao mesmo tempo, os países que perderam com o alinhamento das fronteiras, como a Hungria e a Alemanha, mostravam o seu descontentamento aderindo a ideais como os saídos da terceira Internacional comunista ou mesmo a outros de expressão mais extremista, de direita nacionalista.
A Europa dividiu-se politicamente. A vitória dos Aliados era entendida como a vitória da democracia face aos impérios autocráticos. O garante desta nova ordem seria a SDN, instituída pelo tratado de Versalhes. A Sociedade tinha uma dupla função: por um lado, garantia a paz e a segurança internacional, e por outro devia desenvolver a cooperação entre as nações, encarando o espírito universal do parlamentarismo. Contudo, porque baseada em equívocos, a sua ação irá revelar-se insuficiente para evitar o deflagrar de um novo conflito.
 In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2011. [Consult. 2011-10-03].



Síntese dessas consequências: